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De coerência e “ismos”

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Nesses tempos em que o jornalismo no Brasil permeia para outras lamentáveis variações de “ismos”, chegando a ponto de termos o jornalismo bolsonarista e o lulista/petista, até mesmo uma declaração óbvia de um prefeito vira pauta para polêmicas estéreis.

Bruno Cunha Lima foi perguntado ontem se receberia, como prefeito, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Campina Grande, neste momento. Disse que, do ponto de vista institucional, não via sentido nisso, porque naturalmente a pauta do petista na cidade só teria um objetivo: pré-campanha ao Palácio do Planalto.

E se no caso fosse uma visita do presidente Jair Bolsonaro? Se fosse uma pauta institucional, de interesse do Município, e não da agendas dos partidos ou candidaturas, logicamente ele receberia. Até por ser uma imposição inerente ao cargo para o qual foi eleito. Trair esse princípio republicano seria não dignificar a confiança do povo campinense nele como gestor.

A mesma coerência em relação a esse princípio óbvio foi aplicada por Bruno no último dia 14 de agosto, quando cumpriu agenda em Campina Grande o governador Eduardo Leite (RS), pré-candidato do PSDB à Presidência da República. O deputado federal tucano Pedro Cunha Lima, aliado político até no DNA, por cortesia, convidou o prefeito, mas recebeu a mesma resposta.

A depender de parte da imprensa paraibana, coerência é motivo para críticas, censuras e repúdio, a depender do “ismo” a que esteja ligada. Lamentável.

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O que vai ocorrer na política da Paraíba depois do episódio de Campina Grande?

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* Por Josival Pereira

A semana começa com fortes expectativas em relação aos desdobramentos do episódio envolvendo o governador João Azevedo e o senador Veneziano Vital do Rêgo na última sexta-feira. O que efetivamente vai acontecer? O rompimento será assumido ou haverá reconciliação? Veneziano se lançará candidato a governador? O governador João Azevedo vai se aliar ao ex-prefeito Romero Rodrigues?

As questões são muito complexas para se desenrolarem em pouco espaço de tempo.

Já ficou evidente que o senador Veneziano alimenta o sonho de ser candidato a governador. Ele e o entorno mais próximo avaliam que ficar 8 anos sem disputar eleições poderá prejudicar seu futuro político. Veneziano poderia chegar em 2026 bastante distante do eleitorado e ter dificuldades de disputar até a reeleição.

O fato de contar com mais 4 anos de mandatos garantidos, ajuda Veneziano para a disputa de 2022, mas as equações não são fáceis. Avalia-se que o ideal seria ele ser candidato por uma frente de centro-esquerda tendo Lula no palanque. O problema é que existem ainda muitas dificuldades no MDB nacional para fechar a aliança com Lula. Apenas os diretórios do Nordeste são favoráveis e no PT há bastante resistência por causa do golpe de Temer.

Na Paraíba, Veneziano precisaria convencer o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo a desistir de ser candidato a governador e aceitar posições subalternas na chapa, uma vez que provavelmente o político campinense esteja querendo contar com Efraim Filho como candidato a senador. Sobraria a vice para Luciano, o que certamente ele não aceitará.

Além disso, Veneziano dificilmente conteria o rompimento da família Paulino, o que tornaria o MDB paraibano ainda mais pequeno.

Em ocorrendo o rompimento, o governador João Azevedo certamente buscará aliança com o ex-prefeito Romero Rodrigues. A impressão é que já existem conversas encaminhadas, mas a operação não será fácil, sobretudo, para Romero. O que será feito com o ex-senador Cássio Cunha Lima e o deputado Pedro? E o prefeito Bruno Cunha Lima?

O mais provável é que Romero, se decidir se aliar ao governador, não consiga levar o seu grupo por inteiro. Restaria a Cássio se aliar a Veneziano, o que seria mais um problema para o presidente do MDB, ou fazer seu grupo disputar em faixa própria.

Vale lembrar que essa possível movimentação terá como consequência outro polo de disputa, que são os grupos políticos ligados ao presidente Jair Bolsonaro. Haverá mais um candidato a governador, o que causará mudança na correlação de forças e no perfil da disputa estadual. Não será nada fácil montar esses quebra-cabeças para 2022.

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Fim da linha, um dia fui PT!

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* Por Joaci Tavares de Araújo Junior

Hoje, dia 30 de Setembro de 2021, chega ao fim minha história de filiado ao PT, muita coisa para lembrar desde 1992, alegrias e tristezas, mas agora na despedida só restaram lamentos tristes.

Ao longo dessa jornada, vi o PT nascendo, sendo construído de forma plural e democrática, muitos embates, opiniões diversas, mas sempre com viés partidário, e quase sempre sendo respeitadas as instâncias partidárias.

O PT nasceu socialista, atrelado as lutas populares, nasceu para os Trabalhadores, nasceu como um sonho para todos nós, mas a vida é real e de viés, vejam só que cilada o tempo armou, ao chegar ao poder, as novas alianças com as elites e o capital, afastaram o PT das ruas, a luta se fixou cada vez mais nos gabinetes, os embates viraram guerras de feudos, e as lutas pelo povo, se tornaram um mero detalhe cosmético, afinal o que seria uma luta popular, diante da “glória maior” de um PED?

O PT dos feudos e dos filiados, foi minguando, definhando, o personalismo idólatra foi abocanhando o PT plural, até que em 2021, o partido virou uma propriedade particular do lulismo, basta simular não existir Lula, e sabe-se o tamanho real do PT.

Confesso dificuldades nesse momento triste, mas não quero perpetuar essa tristeza, reafirmo todos os meus ideais socialistas, de esquerda, continuarei lutando sempre por um Brasil mais justo, e sem tirania anti democrática, seja da direita ou da esquerda.

Desde 2020 pelo menos, o PT deixou de ser para mim, democrático, o lulismo trouxe e impôs sua nova ordem tirana, a presidente do lulismo nacional, perseguiu companheiros eleitos democraticamente, a vítima Giucélia Figueiredo foi ameaçada e perseguida, o companheiro Anísio Maia foi caluniado e difamado publicamente, como se não bastasse, foi humilhado publicamente por lula, apoiando o candidato do PSB, Ricardo Coutinho, desprezando solenemente o candidato do PT, observem o tamanho do descolamento entre o Partido dos Trabalhadores e o Lulismo!?

Pois bem, em 2021 veio a bala de prata, o tiro de misericórdia, pelo menos para mim, o lulismo impôs ao que restou de escombros do partido dos trabalhadores da Paraiba, a filiação de Ricardo Coutinho, um ditador conhecido, cheio de processos robustos de provas, inelegível, com rejeição altissima e sem anuência da maioria dos filiados do Partido, e foi nessa hora que entendi que o partido deixou de ser a razão de ser, acabou, o lulismo é o que existe, agora também na figura persona do ricardismo, sei que alguns ainda relutarão em aceitar isso, outros dobrarão seus joelhos, e prostados servirão aos tiranos, e isso jamais aceitarei e nem farei, luto a boa luta, a possível de ganhar, essa não é uma luta justa e democrática.

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A meia volta de Ricardo e os bastidores da filiação ao PT

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* Por Josival Pereira

A vida política dá muita meia volta, volver.

Depois de mais de 16 anos, o ativista político Ricardo Coutinho volta ao PT. Saiu rompendo grilhões que o impediam de ser candidato a prefeito e voar na política. Volta ex-governador, com asas meio avariadas, buscando segurança no porto que abandonou.

Mas o ato de filiação do ex-governador paraibano foi prestigiado. Participaram o ex-presidente Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-candidato a presidente Fernando Haddad, a deputado Gleisi Hoffmann, presidente da legenda; o governador Wellington Dias (PI), o cantor Chico César, além de dirigentes e militantes petistas da Paraíba.

O ato é significativo. Trata-se de nova oportunidade para um militante de esquerda que venceu na política profissional, sendo vereador, deputado, prefeito da Capital e governador do Estado duas vezes, e que foi praticamente abatido por denúncias de corrupção.

Oportunidade conferida, pelo que se escutou no ato de filiação, diretamente pelo líder maior do PT, o ex-presidente Lula, que, em seu discurso, fez duas referências ao fato. Inicialmente, tratando a filiação como um “gesto de solidariedade”. Depois, ao revelar que ligou para Gleisi no dia em que saiu a primeira acusação contra Ricardo para dizer que era preciso defendê-lo com unhas e dentes para “não permitir que façam com ele a mesma safadeza que fizeram com nós”. “Não abandono um companheiro na estrada”, reforçou.

A filiação de Ricardo Coutinho é expectativa para o PT. A corrente que defendia a filiação acredita ainda em seu potencial eleitoral e de liderança, além de que ele, como Lula, se livrará das denúncias do Ministério Público. Uma aposta relativamente elevada.

Se cabe a comparação, o ato de filiação de Ricardo e dos deputados Jeová Campos, Estela Bezerra e Cida Ramos, além da ex-prefeita Márcia Lucena, parecia repetir um pouco o cenário de 2001, quando o PT abraçou “o vale tudo” para eleger Lula presidente. Não importam divergências, posições, histórias, folha corrida, ideologia, etc. Tudo deve ser contemporizado em função do objetivo maior. Tanto que o foco de todos os discursos foi Lula e o próprio não perdeu a oportunidade de, embora num ambiente restrito de live, treinar um discurso como se tivesse falando num grande comício popular.

De resto, exceto a emoção da música de Chico César e o nervosismo da ex-prefeita Márcia Lucena, o ato de filiação pareceu burocrático, como se houvesse pressa para o cumprimento da função. Resta aguardar os atos de militância. Podem ter mais emoção.

Por trás…

Imaginava-se que o próprio Ricardo Coutinho teria articulado seu retorno ao PT a partir de ligações com a direção nacional do partido. Não foi. Em seu discurso, Ricardo revelou que a grande artífice de todo processo foi a esposa Amanda Rodrigues. Destacou sem reservas.

Estrela

Mesmo sem aparecer no ato, Amanda Rodrigues virou uma espécie de estrela do evento. Além da revelação de sua decisiva participação na articulação da filiação, Amanda ganhou saudação especial da presidente nacional petista, Gleisi Hoffmann. Mulheres no comando.

Direção

O que a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, quis dizer quando, próximo ao fim de seu discurso, falando sobre a luta pela eleição de Lula, afirmou: “Tenho a certeza de que vocês estão nesta caminhada, tendo à frente Ricardo Coutinho na direção do processo”?

Humildade, pero no mucho

Em alguns momentos de seu discurso, o ex-governador Ricardo Coutinho se mostrou humilde. Disse que estava voltando ao PT para entregar panfletos e participar de reuniões na periferia. Noutros… Disse que iria atuar para fazer do PT o maior partido da Paraíba.

Diferentes

O deputado Jeová Campos defendeu a necessidade de “construir uma grande unidade das forças que têm compromisso com a democracia”. Ricardo defendeu a eleição de uma grande bancada federal do PT. “Não podemos terceirizar”, afirmou.

Nada sobre João

Reinou o mais profundo silêncio em relação ao governador João Azevedo e sua gestão no ato de filiações ao PT. Se se quiser filigranas para alguma ilação, Ricardo falou “vamos recuperar a Paraíba e o Brasil”. Estela defendeu o “resgate social na Paraíba”.

Senador da Dilma

Afora a defesa da eleição de Lula a presidente, não se falou em candidaturas durante o ato de filiação de lideranças paraibanas ao PT. A exceção ficou por conta da ex-presidente Dilma Rousseff, que saudou Ricardo Coutinho como senador.

Mais uma

Tentando agradar aos paraibanos, em determinada hora de seu discurso a ex-presidente Dilma quis citar o escritor José Américo de Almeida: “Como vocês dizem aí, ninguém se perde na vida”. Era “(…) ninguém se perde na volta”.

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