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CPI lista 26 políticos que espalharam fake news sobre covid. Veja quem são

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O deputado Osmar Terra (MDB-RS) pregou que metade da população brasileira viesse a ser infectada pelo novo coronavírus. Quando isso acontecesse, dizia ele, todos teriam anticorpos e 99% ficaria assintomática. Só aí, assegurava, o contágio da covid-19 iria se reduzir. Fora isso, escreveu o deputado no Twitter, “o coronavírus seguirá na sua trajetória com quarentena ou não”. O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) assegurou que a pandemia da covid-19 é a chegada no que ele chamou de “bio-era”, um tempo em que as armas convencionais são substituídas por armas biológicas, como o coronavírus que, segundo ele, foi construído em laboratório “para atrapalhar e interferir nas eleições americanas”.

Os exemplos acima estão em uma lista da CPI da Covid que investiga a atuação de políticos na disseminação de fake news sobre a pandemia, à qual o Congresso em Foco teve acesso. Durante o período de recesso parlamentar, a organização de documentos que apontam quem foram os responsáveis por produzir e espalhar pelas redes sociais desinformação sobre a pandemia é a nova linha de trabalho das equipes que assessoram os parlamentares na comissão.

A lista foi produzida pelo grupo de 41 voluntários que o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL) arregimentou e que atuam na busca de informações na internet, especialmente para checar dados. A lista tem o nome de 26 políticos, ministros do governo, deputados e senadores. Alguns, inclusive, de oposição.

Além da lista de políticos, a CPI da Covid investiga a origem de 68 perfis na internet, com milhares de seguidores, que espalharam, por exemplo, notícias amedrontadoras sobre vacinas e outras notícias falsas. Esses perfis a comissão ainda mantém sob sigilo, porque muitos têm a autoria anônima. A CPI quer descobrir quais são seus autores e a origem dos disparos. Teme, assim, que a divulgação dos perfis faça com que seus autores tirem as páginas do ar dificultando a investigação.

No caso dos políticos, a ideia, ao final, é verificar suas responsabilidades na disseminação de ideias falsas ou distorcidas sobre a pandemia. Como pessoas públicas, com credibilidade junto à parte da sociedade, as opiniões desses políticos acabem tendo forte importância na formação de conceitos que podem ter dificultado o combate à doença no país.

Os técnicos da CPI observam que há grande coincidência na maioria dos nomes com os que também aparecem nas investigações da CPI das Fake News e dos atos antidemocráticos apurados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Casos dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), da deputada Bia Kicis (PSL-DF) e do deputado Daniel Silveira.

O trabalho mostra especialmente a força da atuação de Osmar Terra, uma espécie mesmo de ministro da Saúde paralelo. De longe, ele é o político com maior presença na lista e com maior volume de divulgação de informações consideradas falsas ou distorcidas. Osmar Terra defende o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, critica o isolamento social, defende a tese da imunidade de rebanho, distorce dados sobre a doença, de acordo com o levantamento feito.

Ele, por exemplo, divulgou dado falso sobre o crescimento da taxa de mortalidade na Suécia, país que aponta como exemplo porque não teria adotado lockdown. Aponta que a taxa de crescimento da mortalidade no país em determinado período seria de 0,7% quando, conforme o levantamento feito, seria na verdade de 2,5%. Chega a atirar contra o chefe da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, reproduzindo denúncia não comprovada de que Adhanom teria apoiado e tentado conseguir armas para grupos rebeldes da Etiópia. De fato, o governo etíope fez essas acusações, mas não apresentou nenhuma prova disso. “De presidente da OMS a traficante de armas. Pode uma pandemia tão séria como a da covid ser conduzida por uma pessoa tão despreparada na área?”, questionou Osmar Terra no Twitter, conforme o levantamento da CPI.

Suspenso das atividades do Congresso por decisão do Conselho de Ética da Câmara, depois de ter chegado a ser preso por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes após a divulgação de um vídeo em que ameaçava outros ministros da Corte e pregava a adoção do Ato Institucional nº 5 da ditadura militar, o deputado Daniel Silveira aparece na lista como disseminador de teorias da conspiração que apontam o coronavírus como uma arma biológica. Em mais de um momento, o deputado afirma que a pandemia é “o maior episódio de engenharia social e análise comportamental em massa da história”. Para ele, a coronavírus “foi literalmente criado para atrapalhar e interferir nas eleições americanas”. Prossegue: “Claro que, por efeito, atingiu o Brasil e foi instrumentalizado pela esquerda doente”.

Há defesas recorrentes do uso de medicamentos sem eficácia comprovada e do fim do isolamento social. Ministros do governo aparecem na lista. O ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, por exemplo, faz relato pessoal em favor do uso de medicamentos cuja eficácia hoje nem mesmo o próprio Ministério da Saúde atesta. “Desde sexta, estou seguindo o protocolo de azitromicina, ivermectina e cloroquina e já sinto os efeitos positivos”.

Quando o Brasil atingiu cinco mil mortos pela covid-19 (agora já são mais de 540 mil), o presidente Jair Bolsonaro reagiu em reposta com um “E daí?”. Mais de um político da sua base postou um vídeo editando sem essa parte da resposta afirmando ser essa a verdade.

A lista cita também alguns políticos de oposição ao governo. A deputada Erika Kokay (PT-DF), por exemplo, fez questionamentos considerados insustentáveis sobre as razões pelas quais o presidente Jair Bolsonaro teria anunciado ter sido contaminado pela covid-19. “Alguém mais acha que o @jairbolsonaro testou positivo para covid-19 com o objetivo de fazer propaganda para a hidroxicloroquina?”, escreveu ela.

Veja abaixo quem aparece na lista e algumas das observações registradas sobre suas postagens:

Carla Zambelli (PSL-SP) – Publicou vídeo editado que retirava a frase “E daí?”, dita pelo presidente Jair Bolsonaro ao reagir quando o Brasil atingiu 5 mil mortes por covid; defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; tira de contexto estudo publicado na revista The Lancet em 2019 sobre desemprego e saúde, sem mencionar que o estudo foi feito antes da pandemia; defesa de que quem já tinha sido infectado não precisaria usar máscara

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; pregação contrária ao isolamento social; distorção de informação sobre a decisão do STF a respeito da autonomia de estados e municípios quanto a medidas de combate à covid

Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) – Defesa de uso de medicamento não comprovado; publicou vídeo editado que retirava a frase “E daí?”, dita pelo presidente Jair Bolsonaro ao reagir quando o Brasil atingiu 5 mil mortes por covid

Osmar Terra (MDB-RS) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; pregação contrária ao isolamento social; defesa da imunidade de rebanho; distorção de dados

Coronel Tadeu (PSL-SP) – Distorção sobre informação a respeito de testes da Coronavac no Brasil, em São Paulo, e na China; defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; alegação insustentável sobre “política nojenta de produzir óbitos”

Aline Sleutjes (PSL-PR) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada;

Caroline de Toni (PSL-SC) – Pregação contra o isolamento social; defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada

Carlos Jordy (PSL-RJ) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; informação falsa de que nem a China usava a vacina Coronavac; afirma, sem provas, que há relação entre a proliferação do novo coronavírus e o Partido Comunista Chinês

Fábio Faria (ministro das Comunicações) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; frase tirada de contexto de que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomendava o lockdown

Luiz Philipe de Orleans e Bragança (PSL-RJ) – Dado insustentável e sem indicação de fonte (estima-se que somente 30% das empresas e empregos em bares e restaurantes ainda irão existir caso acebe o lockdown nas próximas semanas)

Onyx Lorenzoni (ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência) – Defesa de medicamento sem eficácia comprovada

Bia Kicis (PSL-DF) – Defesa de medicamento sem eficácia comprovada; pregação contra o uso de máscara; pregação contra a vacinação; afirmação de que vacina pode alterar o DNA humano

Paulo Eduardo Martins (PSC-SP) – Defesa de medicamento sem eficácia comprovada

Erika Kokay (PT-DF) – Alegação insustentável (“Alguém mais acha que o @jairbolsonaro testou positivo para covid-19 com o objetivo de fazer propaganda para a hidroxicloroquina?”)

Sâmia Bomfim (PSOL-SP) – Informação falsa de que a vacina contra H1N1 é fabricada pela Sinovac Biotech, mesmo laboratório que fabrica a Coronavac

Daniel Silveira (PSL-RJ) – Pregação contra o isolamento social; defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; afirmação insustentável de que a covid-19 é uma arma biológica e de que “estamos na Bio-era”; afirmação de que vacinas seriam aplicadas sem teste; afirmação de que a covid-19 “foi inventada para atrapalhar e interferir nas eleições americanas”

Marcelo Freixo (PSB-RJ) – Distorceu frase do então ministro da Saúde, Nelson Teich

Marco Feliciano (PSC-SP) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada

José Medeiros (Podemos-RN) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada; publicou vídeo editado que retirava a frase “E daí?”, dita pelo presidente Jair Bolsonaro ao reagir quando o Brasil atingiu 5 mil mortes por covid

Capitão Derrite (PP-SP) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada

Marcio Labre (PSL-RJ) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada

Vitor Hugo (PSL-GO) – Afirmação de que vacinas seriam aplicadas sem testes

Gleisi Hoffmann (PT-PR) – Exagero ao dizer que quase 7 milhões de testes de covid haviam sido “desperdiçados” (na verdade, eles poderiam perder a validade)

Hélio Lopes (PSL-RJ) – Defesa de uso de medicamento sem eficácia comprovada

Alê Silva (PSL-RJ) – Afirmação falsa sobre ocupação de leitos de UTI; afirmação falsa de que STF tirou poderes de Bolsonaro para decidir sobre o combate à covid-19; defesa do uso de medicamento sem eficácia comprovada

Marcelo Álvaro Antônio (ministro do Turismo) – Defesa do uso de medicamento sem eficácia comprovada

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Três deputados paraibanos votam contra PL da Grilagem; texto base foi aprovado na Câmara

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O texto-base do Projeto de Lei 2633/20, batizado de PL da Grilagem, que aumenta o tamanho de terras da União passível de regularização sem vistoria prévia, foi aprovado na Câmara dos Deputados por 296 votos s 136. Da bancada paraibana, apenas três deputados votaram contra o projeto.

Damião Feliciano, Frei Anastacio e Gervásio Maia votaram “não”. O coordenador da bancada federal paraibana, deputado Efraim Filho, não participou da votação.

A proposta passa de 4 para 6 módulos fiscais o tamanho da propriedade ocupada que poderá ser regularizada com dispensa de vistoria pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A votação seguiu a linha de divisão da Casa: partidos de oposição (PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, PV e Rede, além das bancadas da Minoria e da Oposição) foram contra o texto. Bancadas como a do Cidadania, PSDB e MDB foram favoráveis ao texto.

Veja a votação dos deputados paraibanos:

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) -votou Sim
Damião Feliciano (PDT-PB) -votou Não
Edna Henrique (PSDB-PB) -votou Sim
Efraim Filho (DEM-PB) – Não Votou
Frei Anastacio (PT-PB) -votou Não
Gervásio Maia (PSB-PB) -votou Não
Hugo Motta (Republican-PB) -votou Sim
Julian Lemos (PSL-PB) -votou Sim
Leonardo Gadelha (PSC-PB) -votou Sim
Ruy Carneiro (PSDB-PB) -votou Sim
Wellington (PL-PB) -votou Sim
Wilson Santiago (PTB-PB) -votou Sim

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Veneziano quer discussão ampla e aplicação de correções na nova Lei de Improbidade Administrativa

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O vice-presidente do Senado, senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo (MDB), defende que a nova Lei de Improbidade Administrativa (LIA) (Lei 8.429, de 1992) proposta no Projeto de Lei (PL) 2.505/2021 ainda não é consenso e deve ter sua discussão aprofundada na Casa.

A LIA, que é aplicada em todos os municípios, apresenta situações diferenciadas que prejudicam cidades pequenas ao dispor sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências.

Segundo Veneziano, é primordial o aprimoramento da Lei, sem deixar de se garantir a segurança do bem público, para tanto, considera necessário que a matéria seja discutida, sem adiamentos, em comissões como a de Constituição e Justiça (CCJ). E que, para isto, um cronograma de audiências seja estabelecido já para este semestre.

Veneziano confirmou que técnicos e senadores consultados sobre o assunto, durante sessão realizada na terça-feira (3), concordam que debates e correções na LIA se fazem necessários.

“O que ficou certo no debate de hoje é a necessidade de correções na LIA, e isso está constante nas falas de todos os técnicos ouvidos e dos nossos companheiros integrantes do Senado que daqui participaram”, disse o senador paraibano.

 

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Presidente nacional do PSB não acredita na reversão da inelegibilidade de RC antes das eleições

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O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, revelou perceber como “muito difícil” a situação do ex-governador Ricardo Coutinho em relação às tentativas de reverter junto à Justiça Eleitoral sua condição de político inelegível.

A fala de Carlos Siqueira foi registrada durante entrevista concedida à imprensa da Paraíba nesta semana.

Segundo o presidente, diante das sentenças de inelegibilidade já decretadas pela Justiça em desfavor do ex-governador paraibano, é fato claro que “Ricardo Coutinho está inelegível”.

Siqueira ainda afirmou não acreditar que Coutinho consiga reverter tal situação antes das Eleições 2022.

Pivô

O ex-governador, que ainda é filiado ao PSB, é atualmente considerado o pivô de uma das maiores crises políticas internas vividas pelo Partidos dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, uma vez que tenta, a todo custo, forçar seu próprio retorno ao seio petista paraibano.

Para tanto, Ricardo decidiu desconsiderar e “passar por cima” dos diretórios municipal e estadual da legenda e buscar, de cara, autorização da cúpula nacional do PT, que por sua vez, não apenas acatou o pedido do ex-governador, como tentou apresentar Coutinho como candidato da legenda na corrida eleitoral pelo comando da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) nas últimas eleições.

Para tanto, o PT Nacional chegou entrar na Justiça para tentar impedir que o então, candidato Anísio Maia, um dos nomes históricos do PT paraibano, mesmo tendo sido escolhido pelos integrantes da sigla na Paraíba, fosse o candidato da legenda no dito pleito.

Esfacelamento

O atual esfacelamento do PT paraibano mostra, de um lado, a maioria das forças representativas na instância partidária se posicionando contra ao retorno de Ricardo Coutinho aos quadros da legenda e, do outro, uma ala com 113 petistas apresentando um manifesto de apoio à entrada não só de Coutinho na sigla, mas, também dos deputados estaduais Estela Bezerra, Cida Ramos, Jeová Campos e da ex-prefeita de Conde, Márcia Lucena.

 

 

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