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O desafio de Nilvan para reorganizar o PTB com vistas às eleições

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Artigo do jornalista Nonato Guedes

Anunciado no final de maio como presidente do diretório estadual do PTB, tendo como vice Eudócio Dantas, o comunicador e ex-candidato a prefeito de João Pessoa, Nilvan Ferreira, ainda examina estratégias que precisarão ser adotadas sob sua liderança para reestruturar o partido na Paraíba e que passam pelo fortalecimento dos quadros da legenda e pela preparação para as eleições do próximo ano. Os desafios são grandes para suprir defecções ocasionadas pela saída do “clã” Santiago, que foi punido por divergências de posicionamento com as diretrizes registradas no estatuto da agremiação, como fez questão de assinalar o presidente nacional trabalhista Roberto Jefferson. O deputado federal Wilson Santiago e o deputado estadual Wilson Filho, que estavam à frente do PTB, controlam prefeituras de cidades do interior, cujos titulares devem migrar com eles para outra legenda.

O PTB, que já passou por muitas mãos na Paraíba no seu histórico, sobrevive do carisma da pregação trabalhista. Não logrou, nos últimos anos, agigantar-se no cenário partidário local, mas se credenciou à ocupação de espaços, tendo Wilson Santiago, em 2014, alcançado o terceiro lugar no confronto por uma única vaga ao Senado que foi vencido pelo ex-governador José Maranhão (MDB), recentemente falecido. A segunda posição naquele páreo ficou com Lucélio Cartaxo, do PV, irmão gêmeo de Luciano Cartaxo, que, então, comandava a máquina da prefeitura municipal de João Pessoa em seu primeiro mandato. Antes, em 2011, Santiago logrou assumir temporariamente o mandato de senador, beneficiado pela confusão jurídica sobre a legitimidade da eleição de Cássio Cunha Lima (PSDB), consagrado nas urnas em 2010. Wilson vestia, então, as cores do PMDB, e Cássio teve, enfim, restaurado o seu direito de ser efetivado como senador.

Wilson Santiago, no plano político paraibano, é alinhado com o esquema político do governador João Azevêdo (Cidadania), e seu filho desempenha papel no bloco de líderes da situação na Assembleia Legislativa do Estado. Azevêdo já manifestou intenção de votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num eventual segundo turno na disputa contra Jair Bolsonaro em 2022, opção que deve ser partilhada pelos Santiago. Já Nilvan Ferreira é visceralmente antipetista e antilulista e ferrenhamente bolsonarista, o que está de acordo com a pauta defendida pelo presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. Dentro das hostes trabalhistas, Nilvan é alternativa tanto para disputar o governo do Estado como para tentar eleger-se deputado federal. Há indícios de que a cúpula nacional investe, preferencialmente, em bancadas fortes no Congresso, como moeda de barganha com um eventual segundo governo Bolsonaro. Na Paraíba, com as mudanças verificadas na legislação, o PTB deverá manter pelo menos a vaga na Câmara, que Santiago representava.

Nilvan terá que se mostrar um eficiente “tarefeiro”, em condições de desenvolver em tempo recorde um trabalho de formiguinha para expandir o Partido Trabalhista no território paraibano e fornecer cacife à legenda para as alianças majoritárias. Afirma-se que o tempo será curto para que tal façanha se concretize dentro do plano de deslanchar nas eleições de outubro de 2022, o que poderá retardar o processo de crescimento almejado pelo presidente Roberto Jefferson em Estados do Nordeste como a Paraíba. A nível nacional, o PTB desenvolve uma campanha massiva de filiações, valendo-se de redes sociais e de outros meios de comunicação, como parte da ideia de implantação de um projeto conservador de poder no país. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, os dirigentes municipais lançaram ofensiva prevendo 14 semanas consecutivas de filiações ao PTB, com o apoio do diretório estadual.

A ideia surgiu com inspiração na campanha nacional “Filie-se ao PTB” lançada pelo presidente Roberto Jefferson e, como parte da estratégia, semanalmente cada membro da Comissão Executiva promove um encontro destinado a assegurar filiações de novos membros à sigla, com foco no crescimento e desenvolvimento do partido na região. É um modelo que está sendo oferecido, a título de sugestão, a diretórios de outros Estados, respeitando-se as peculiaridades locais, como a da Paraíba, onde houve praticamente uma intervenção da cúpula nacional com o intuito de repor a sigla nos trilhos, afinada com o legado “conservador e cristão, em defesa da família e da religião”, tal como preconizado pelos dirigentes maiores. A meta, considerada ambiciosa por alguns analistas políticos, é a de transformar o PTB no único partido conservador do Brasil.

Mesmo em meio às dificuldades evidentes com que está se deparando para posicionar o PTB no contexto dos partidos médios e de relevância na conjuntura da Paraíba, é indiscutível que o presidente estadual Nilvan Ferreira está otimista com as chances de conquista de espaços nos embates futuros. Ele parte do princípio de que agora, sob nova direção, o PTB assume uma identidade mais definida perante a opinião pública, não deixando margem a dúvidas no que diz respeito ao posicionamento ideológico, que está à direita no espectro de extremos que se preparam para o embate eleitoral de 2022. Para Ferreira, que se sentia “violentado” dentro do MDB sob o comando do senador Veneziano Vital do Rêgo, que sucedeu a Maranhão, é um alívio e tanto para os seus próprios projetos que já o empurraram para o centro da política estadual.

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Bolsonaro não quer o voto impresso

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* Por Josival Pereira

O presidente Jair Bolsonaro não quer o voto impresso. Se quisesse, não faria o que está fazendo.

As falas do presidente e as manifestações em defesa do voto auditável, como eles denominam, têm sido encaminhados para o endereço errado, que é a Justiça Eleitoral ou mais diretamente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso. Às vezes, com cópia ao Supremo Tribunal Federal (STF).

É certo que o ministro Barroso é contrário à acoplagem de impressoras às urnas eletrônicas. É igualmente verdade que os ministros do TSE e do STF também são contra. Mas o TSE, o STF e todos os ministros juntos não têm poder para implantar o voto impresso. E o presidente Bolsonaro tem plena consciência disso.

O voto impresso, auditável, democrático, como queiram chamar, somente poderá ser implantado através de aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição, a famosa PEC, no Congresso Nacional (Câmara e Senado).

Em 2015, o voto impresso foi aprovado numa lei que instituiu uma reforma eleitoral, mas o dispositivo foi considerado inconstitucional pelo STF em 2018. A justificativa é mais longa, mas um dos argumentos foi o de que precisaria ser incluído na Constituição.

Deste modo, se o presidente Bolsonaro quer o voto impresso, deveria primeiro voltar todos seus esforços para convencer o Congresso a aprovar a emenda à Constituição. Por que o governo não mobiliza sua ampla maioria na Câmara dos Deputados para aprovar a PEC do voto impresso? Cadê o centrão? Por que a pressão não é sobre os deputados? Por que os protestos não são contra a Câmara. Estranho, não?

A ideia de implantação da impressão do voto como forma complementar à votação eletrônica não chega a ser absurda, mas as manifestações em defesa da proposta no modo que estão sendo conduzidas são inconsequentes. O alvo do presidente está errado. Se Bolsonaro quer o voto impresso, terá que aprovar no Congresso e ainda viabilizar os recursos no Orçamento (R$2,5 bilhões). O resto é pura confusão política.

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Quais as razões da retirada da candidatura de Pedro Cunha e o apoio do PSDB a Romero?

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* Por Josival Pereira

A esquisita celeuma em torno de um suposto encontro entre o ex-senador Cássio Cunha (PSDB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) no qual havia se discutido a formação de uma chapa com os dois para a disputa das eleições de 2022 acabou nesta quinta-feira com os tucanos anunciando a retirada da pré-candidatura de Pedro Cunha Lima e apoio à postulação de Romero Rodrigues.

Na política, o costume é questionar as razões por trás dos fatos. Existem, no caso? Quais?

Observe-se, inicialmente, que, a rigor, não há novidade no fato. Alguém imaginaria que a família Cunha Lima pudesse rachar e apresentar dois candidatos a governador ou se dividir em chapas diferentes? Quase impensável. Assim, esse dia (re)unificação chegaria.

Talvez existam razões para justificar ou explicar a escolha do momento do óbvio anúncio.

Uma razão, certamente, é a constatação da inviabilidade da candidatura do deputado Pedro Cunha Lima a governador. Falou-se, nos últimos dias, que Cássio andaria com uma pesquisa debaixo do braço em Brasília. Então, existem números e existem razões.

Pelo alarde que a notícia do suposto encontro entre Cássio e Veneziano ganhou na imprensa e nas discussões políticas, é lícito supor que também possa ter sido uma relevante causa para precipitação das decisões e dos anúncios feitos.

A forma singela do evento  – entrevista com poucas pessoas e sem a presença de interessados importantes -, permite aventar que o anúncio da retirada do nome de Pedro Cunha Lima da disputa atende a uma necessidade ou exigência de pacificação da família.

Não é estranho imaginar que o ex-prefeito Romero Rodrigues tenha se chateado com a notícia de colóquio político entre o primo e um de seus principais adversários em detrimento de sua candidatura. Como ele poderia buscar apoios ou cobrar compromisso de seguidores de Bolsonaro, por exemplo, se até a família não está unida?

O mesmo sentimento pode ter melindrado o prefeito Bruno Cunha Lima, que, sendo o integrante da família detentor do mais importante cargo de poder, precisa ser ouvido.

O desfecho é que tudo continua como antes no quartel dos Cunha Lima. Quer dizer, nem tudo: o poder e a perspectiva de poder já não estão no núcleo da casa do poeta. Pelo menos, na atual quadra política.

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Romero, Veneziano, a corrida pelo Governo da PB, um ‘racha’ campinense e o cenário ideal para João

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O comentário feito pelo vereador Mikika Leitão, de João Pessoa, nesta terça-feira (27), sobre a mobilização do MDB, partido ao qual é filiado na Paraíba, já se articular para indicar o presidente Estadual da legenda, senador e vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo, para disputar o Governo Estadual nas Eleições 2022, balançou os bastidores da política paraibana.

Isso porque caso Veneziano decida sair candidato na corrida ao Governo do Estado, assim como o ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD) já o fez, desencadeará um cenário de polarização de dois ex-prefeitos campinenses muito fortes, no caso, em âmbito municipal, para a disputa de votos dentre o eleitorado de Campina Grande, fato este que beneficiaria – e muito! – a candidatura do atual governador João Azevêdo (Cidadania) à reeleição.

O cenário de fatiamento de votos em Campina, o segundo maior colégio eleitoral da Paraíba, ainda pode se tornar mais complicado e mais favorável para João, caso seja confirmada a intenção do deputado federal e presidente Estadual do PSDB, Pedro Cunha Lima, em também sair candidato ao mesmo cargo.

O parlamentar federal já é encarado pela imprensa nacional como pré-candidato ao Governo do Estado, mas, todo paraibano sabe que Pedro, na política local, tem um peso a mais por ser filho de Cássio Cunha Lima (PSDB) um dos mais fortes líderes políticos de toda a história paraibana.

O nome de Cássio, inclusive, foi citado por Mikika como integrante de uma chapa, encarada como ideal e vitoriosa, encabeçada por Veneziano na disputa ao Governo da Paraíba.

Cássio, segundo Mikika, sairia como candidato a senador por ser extremamente gabaritado para tal, por já ter ocupado o mesmo cargo, em Brasília, com máxima competência.

A preço de hoje, a partir do esboço sugerido por Mikika, e da possibilidade da presença de mais nomes campinenses de peso na disputa ao Governo do Estado, tem-se o claro vislumbre de uma pintura extremamente favorável à reeleição do atual governador João Azevêdo.

 

 

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