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Radicalismo, intransigência e intolerância estão prejudicando o país

Publicado

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* Por Josival Pereira

“É como se Moisés tivesse passado e aberto o Mar Vermelho”. A imagem é do deputado Leonardo Gadelha (PSC) para explicar o ambiente político que encontrou na Câmara dos Deputados ao voltar à Casa, assumindo temporariamente a cadeira de Ruy Carneiro.

O ambiente descrito por ele é de intransigência absoluta, de intolerância sem limites, de radicalismo sem precedentes, de diálogo impossível, ao ponto que as ideias e propostas de um lado são totalmente imprestáveis para o outro.

Apesar de jovem, Leonardo Gadelha tem longa vivência no ambiente político de Brasília. Se envolveu ainda tenramente quando o pai era senador, na década de 80, e viu que, mesmo na ditadura, os dois lados – oposição e situação – conversavam civilizadamente.

Cresceu e se formou vendo a democracia renascer e explodir em ideias no empolgante palco da Constituição, acompanhando os debates nas muitas eleições que se seguiram.

A democracia brasileira evoluiu e uma das forças políticas mais radicais em sua formação – o Partido dos Trabalhadores (PT) – sentou-se à mesa com os patrões para chegar ao poder.

Pois tudo isso é impraticável agora, segundo o relato de Leonardo Gadelha, uma vez que o radicalismo de posições passou para o radicalismo de postura e está evoluindo para o extremismo. De ambos os lados. Qualquer outra posição não consegue se fazer ouvir.

A democracia está cega e surda no Brasil. E isso é muito ruim para o país.

Começa que nenhuma ideia, por melhor que seja, é aproveitada. De pronto, recebem o desprezo do outro lado. “Ideias não têm lado. Existem ideias boas de esquerda, de direita, de centro. O Brasil está perdendo muito”, diz, estupefato, o parlamentar.

O grave é que este ambiente do Congresso está instalado em todo o país, em todos os recantos, e contaminou todos os temas. Veja-se o que ocorre com as discussões sobre a pandemia ou vacina, o simples uso de máscaras, cultos etc. Não há mais possibilidade de discussão civilizada nem em reuniões de família na casa da mãe. Está difícil conversar.

O Brasil vive a mais profunda escassez de inteligência, tolerância, sensatez e respeito.

Esqueceram que democracia pressupõe diálogo, que a intransigência solapa as relações políticas e emperra a vida pública. Emerge, então, o estado de estupidez. Reina o caos.

Se esta ainda não é a situação do Brasil, falta pouco. Muito falta para o equilíbrio imperar.

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Profissionalização trazida por pandemia gera oportunidades para prestadores de serviços de TI

Publicado

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Por Jefferson Penteado

A tão inesperada Pandemia criou toda uma nova realidade para aqueles profissionais que gerenciam um ambiente de TI, seja ele um gestor interno quanto ou um prestador de serviços. Se por um lado, a possibilidade de trabalhar em casa representa mais conforto para alguns, pode acreditar que para os responsáveis por gerenciar e proteger os equipamentos ligados a uma rede o sentimento é exatamente o oposto: total desconforto.

Isso acontece porque a rápida mudança causada no início da pandemia – que levou grande parte dos efetivos das empresas ao trabalho em home-office, aumentou muito as vulnerabilidades e a complexidade da gestão das redes.

Com todos os funcionários acessando os servidores (locais ou em nuvem) de ambientes externos, foi como se, de um dia para o outro, uma empresa média, por exemplo, passasse a ter centenas de filiais, representada cada uma delas por um endpoint fora do ambiente físico do negócio.

Se fazer tudo funcionar corretamente, para que os serviços de TI pudessem ser entregues sem falhas aos usuários, já era um desafio, a complexidade se tornou ainda maior em relação à segurança da informação. Atentos a este momento, os oportunistas do cibercrime intensificaram os ataques. Mesmo após mais de um ano de pandemia, grandes campanhas envolvendo sequestro e roubos de dados continuam acontecendo praticamente todas as semanas.

Dizem os sábios que em todo momento de crise existem oportunidades. Para as empresas ficou evidente que profissionalizar a gestão de TI e de segurança da informação tornou-se uma questão de sobrevivência, e isso abre muito espaço para aqueles que prestam serviços gerenciados de TI, os chamados MSPs (Managed Service Providers).

Para os já consolidados MSPs, a possibilidade de oferecer serviços que vão além da gestão da TI, mas que também incluam serviços gerenciados de segurança de alto nível, abre todo um novo mercado que podem explorar. E a entrada em vigor das multas propostas pela LGPD, previstas para o meio do ano, será mais uma mola propulsora para esse tipo de serviço.

Já para os prestadores de serviços gerenciados de menor porte (como aquela empresa que conta com cinco ou dez técnicos, para dar suporte a algumas dezenas de empresas pequenas e médias), a oportunidade é ainda maior. Porém, seu cliente exigirá uma gestão mais profissional e, para isso, ele também terá que investir na sua própria profissionalização, inclusive em tecnologias que o ajude a oferecer mais qualidade.

Felizmente, já existem no mercado soluções em nuvem e com custo viável que têm a capacidade de oferecer tudo o que um prestador de serviços precisa para se tornar um MSP (como monitoramento, gerenciamento de licenças, abertura de tickets, etc), além de recursos robustos de segurança da informação, o que o permitirá apoiar seus clientes também nessa frente e ter ganhos financeiros com maior escalabilidade.

A profissionalização da gestão de TI proporcionada pelas mudanças trazidas pela pandemia é um caminho sem volta e as oportunidades estão aí. Cabe aos prestadores de serviços gerenciados estarem preparados e capacitados para aproveitá-las.

*Jefferson Penteado é fundador e CEO da BluePex, especializada em soluções de segurança da informação e disponibilidade.

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Opinião: quem pede a volta do voto impresso está apostando em fraude eleitoral

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* Por Wellington Farias

Os ultraconservadores e reacionários que apoiam o projeto de poder do presidente Jair Bolsonaro foram às suas no 1º de Maio, Dia do Trabalhador (não do trabalho).

Uma verdadeira festa de muitos convidados e poucos participantes, em quase todos os Estados onde houve manifestações; coisa de elite, de patrão, e com participação quase zero de trabalhadores. Muita festa e muita alegria exatamente quando o Brasil se torna o epicentro do coronavírus para o mundo, com seus mais de 400 mil cadáveres e uma política sanitária nacional na contramão do resto do planeta.

A dor de milhares de famílias enlutadas pela perda dos milhares de ente queridos não estava na pauta. Mas estavam o ultrapassado discurso de combate ao comunismo; o pedido da volta do voto impresso, e um ridículo “eu autorizo” como senha para o presidente intervir nos decretos baixados pelos governadores para o enfrentamento da pandemia, como se ele pudesse tudo…

Nem quinze segundos de silêncio para reverenciar os mortos pela Covid-19 ou confortar as famílias de luto. Nada!

Ai tem…

É muito estranho o ponto da pauta dos reacionários em que pedem a volta ao voto impresso em substituição às urnas eletrônicas. O processo eletrônico colocou o Brasil na vanguarda mundial no tocante à votação e apuração em eleições. E as queixas de fraudes são mínimas.

É possível haver fraude na contagem de votos sufragados em urnas eletrônicas? Só especialistas poderão dar a palavra final a respeito. A nós, pobres leigos, nos resta um débil “pode ser”. Pode haver um “assalto” virtual a bancos? Sei, lá. Pode ser. Mas apenas “pode”. Não há confirmação de nenhum caso inerente aos exemplos acima.

Não precisa ser expert em nada, no entanto, para se afirmar que o voto impresso no Brasil registra um enorme histórico de fraudes em tudo que é eleição. Desde eleição de Associações de bairros, até as mais expressivas.

No interior

É notório que a possibilidade de fraude numa eleição com voto eletrônico é infinitamente menor (se for possível) do que com o voto impresso, cujas cédulas correm à velocidade da luz nas mãos de mesários (risco 1) e terminam computados nos famosos boletins de urna (risco 2). Fiscal de partido, a olho nu?! Não garante nada…

As fraudes em mesas de apuração são muito conhecidas, especialmente em cidades do interior. Eu tive um professor de Ciências que, muitos anos depois, nos contou como roubava votos para os candidatos de sua preferência quando era mesário nas eleições realizadas em Serraria. Ele contava, com orgulho da sua capacidade de “engalobar” os fiscais, que era na base de um pra tu e dois pra mim.

Qual a lógica?

Convenhamos: qual dos dois processos torna as eleições mais vulneráveis às fraudes: o do voto impresso, cujos sufrágios são computados à mão, ou o das urnas eletrônicas dotadas de códigos de segurança?

Se porventura em ambos os casos é possível haver fraude, o processo eletrônicos é indiscutivelmente mais seguro.

Agora imaginem: qual a intenção dos adeptos do bolsonarismo de fazer voltar o voto impresso? Com base em que? Que argumentos têm para comprovar que a urna eletrônica torna a votação mais vulnerável à fraude?

Se a eleição com urna eletrônica simboliza fraude, quer dizer então que a vitória de Bolsonaro nas eleições de 2018 é fruto de fraude?

É no muito estranho…

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O bolsonarismo reage nas ruas

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* Por Josival Pereira

O presidente Jair Bolsonaro tem bases para uma boa briga pela presidência da República. O poder de mobilização do bolsonarismo pode não ser mais o mesmo do período em que disputou as eleições, em 2018, mas ainda tem massa.

Foi o que ficou demonstrado agora, no dia 1º de maio, nas manifestações nas grandes cidades. Os organizadores queriam 1 milhão de pessoas nas ruas. Era o sinal que Bolsonaro falava na semana passada. Houve frustração, mas a mobilização nas grandes cidades (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis) não pode ser minimizada.

Manifestações de rua serão sempre condenadas pelo bom senso, que vai dizer que aglomerações neste momento em que o Brasil já tem mais de 400 mil mortes por Covid-19 e sem perspectiva à vista de controle da pandemia não deveriam ser realizadas. Na guerra política, no entanto, o bom senso não tem voz de comando.

Sobre os atos públicos, em análise mais aprofundada, pode-se alegar que um governante no cargo sempre terá forte poder de arregimentação e que era esperado mais.

Haverá quem avalie, também com fundamento, que forças políticas acossadas, como tem sido o caso do bolsonarismo, sempre reagem em manifestações de defesa, expressando-se, às vezes, com barulho maior do que o potencial verdadeiro.

O mais acertado, porém, é acreditar que, politicamente, o país continua dividido, muito dividido, e que um dos lotes desta divisão é liderada por Bolsonaro.

A política até parece ter mais força do que a gestão pública, porque é evidente que as ações do presidente em relação à pandemia não têm o apoio da maioria da população.

As pesquisas indicam que a maioria dos brasileiros também não aprova o jeito do presidente Jair Bolsonaro conduzir o país, mas o bolsonarismo continua com força nas ruas.

As manifestações do sábado só confirmam, então, que a tendência é mesmo de polarização entre o bolsonarismo e o PT de Lula, um jequi muito apartado no qual, lamentavelmente, o cidadão brasileiro terá que se submeter. Será muita sorte se surgir outra alternativa.

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