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A brutalização da vida

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Chamo a atenção para uma das questões mais importantes a serem pensadas: como um ideário belo como o do cristianismo pôde gerar uma religião histórica de tendência brutalizada e ações antiecológicas?

Pode-se dizer, a grosso modo, que uma parcela considerável das igrejas cristãs procurou a intermediação do seu mundo ideal a partir da “negação do mundo existente” e, consequentemente, de sua substituição. Trata-se, de fato, de se negar o belo pelo mais belo através do menos belo, ou seja, a negação da estética em ambiente religioso. Procura-se destruir para enfim, se possível, reconstruir. Destruir é uma expressão nada ecológica. Mas como entender esse processo brutalizador da vida e do cristianismo?

A resposta passa por um menosprezo indisfarçável pelo “mundo”= sistema-terra que teria segundo a intepretação de muitos, um fim catastrófico. Enfim, do que vale zelar por um sistema que está condenado pelo próprio Deus à destruição total? Do que vale ações que possibilitem salvaguardar o grito da terra e o grito do pobre se a história caminha para o seu fim?  A destruição seria iminente segundo essa perspectiva. Nessa construção de pensamento, a violência e o sagrado seriam inseparáveis e a violência exigiria o aparecimento de alguma vítima sacrificial.

Tais convicções cristãs refletem e postulam um suicídio coletivo da natureza e buscam encontrar na destruição, a solução dos conflitos que se fazem permanentes. E, enquanto tal situação vai se postergando, todo ato de socorro é completamente desnecessário. Todavia, como podemos perceber a gênese da brutalização em ambiente cristão?

Ela é percebida a partir da brutalização das relações humanas e da relação com a natureza. De certa forma, a brutalização nas/das relações humanas desencadeiam um processo de destruição da natureza. Seria necessário ser agressivo para sobreviver e a violência só deixaria de ser necessária a partir de novos atos de violência. Certamente que esse tipo de relação é recorrente: combate-se a brutalização através de atos brutais para que não haja, algum dia, atos brutais nas relações humanas e ecológicas.

A brutalização leva-nos ao distanciamento do grito da terra bem como do grito dos pobres.  Faz com que as relações entre as criaturas sejam de dominação e não de ajuda. Criam-se mundos diferentes para que na diferenciação haja a possibilidade de domínio do ser humano sobre outros iguais e sobre a própria natureza.

Começa desse modo uma ruptura na maneira de se perceber a relação necessária para a sobrevivência do sistema-terra: a natureza deixa de ser tratada como um “tu” e passa a ser tratada como um “isso”. Perde-se o diálogo pessoal e próximo com a natureza e com o que está por detrás dela e a sustenta.

Quebra-se um trinômio que deveria ser indissolúvel para a promoção da vida: a espiritualidade, o ser humano e a terra. E enquanto o trinômio estiver partido somente se poderá falar de “falta de vida” ou ainda de vida “infra-humana”. Não se poderá ver a vida como plenitude, mas sim enquanto imagem pálida de homens, mulheres e meio-ambiente que persistem em sobreviver.

Autor: Luiz Alexandre Solano Rossi é doutor em Ciências da Religião e professor da graduação em Teologia Interconfessional do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

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A parceria entre o falso democrata e um partido com viés autoritário

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Nonato Guedes

Da combinação entre a falsa postura de democrata do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) e o viés autoritário predominante em instâncias da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, resultou o ato de força imposto ao diretório municipal petista de João Pessoa para retirar a candidatura a prefeito do deputado Anísio Maia, homologada de forma legítima e em caráter conjunto com o PCdoB. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, fiel cumpridora de ordens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comandou a “blitzkrieg” para desautorizar a convenção e, em seu lugar, impor a coligação do PT em apoio à candidatura do próprio Ricardo Coutinho, que é mencionado em processos da Operação Calvário, encarregada de apurar desvios de recursos públicos da Saúde e Educação na administração da Paraíba.

A intervenção da cúpula nacional petista no diretório pessoense foi o ponto culminante de uma estratégia urdida por Ricardo Coutinho para ganhar o tempo de televisão do PT no horário eleitoral gratuito, por mínimo que seja, em proveito da sua defesa diante das graves acusações formuladas em dossiês do Ministério Público fartamente documentados. Ninguém acredita, sinceramente, que Ricardo Coutinho esteja cogitando defender ideias para João Pessoa ao se propor a disputar pela terceira vez a prefeitura da Capital. Coutinho, que hoje tem mais prontuário do que currículo a exibir aos eleitores, valeu-se da “solidariedade” lulista para infiltrar-se nas hostes do PT paraibano. Afinal, Ricardo se solidarizou com o ex-presidente Lula da Silva quando este foi preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e da mesma forma acostou-se à presidente Dilma Rousseff quando esta enfrentou o processo de impeachment na esteira de denúncias de pedaladas fiscais, conforme relatório do Tribunal de Contas da União.

Diante de gestos assim do “companheiro” Ricardo, Lula sempre esteve disponível para retribuir desde que devidamente acionado na hora da precisão. Como agora, quando Ricardo igualmente necessita, com urgência, de espaços generosos em meios de comunicação para construir narrativa que intenta vitimizá-lo aos olhos da opinião pública, a despeito do potencial de denúncias acumuladas e baseadas, inclusive, em depoimentos e delações de ex-secretários e colaboradores da Era Ricardo. Não é outro o propósito de Coutinho, com essa volta ao cenário político da Capital, senão o de se apresentar como mártir, na condição de alvo de uma conspiração adrede preparada para afastá-lo de circulação por supostamente defender os interesses do povo.

De intervenção Ricardo Coutinho entende muito bem. Foi o que ele fez, dentro do PSB paraibano, tão logo o governador João Azevêdo tomou posse, ao destituir “manu militari” a então Comissão Executiva presidida por Edivaldo Rosas, que se manteve como aliado do novo governador, e destituir o diretório, provocando uma debandada de quadros cuja extensão só foi contida de imediato por causa de exigências da legislação eleitoral que poderiam exercer efeito colateral para prejudicar antigos filiados em processo de tropismo para outras legendas. O Ricardo que emergiu da convenção do PSB de anteontem em João Pessoa foi o velho Ricardo conhecido dos mais atentos ou bem informados: um demagogo com tintas aparentemente populistas. Na visão de Anísio Maia, um político decadente e chantagista, diante da operação insidiosa que articulou junto a líderes nacionais petistas para que o ajudem na tática de salvar o que resta de uma imagem praticamente esmaecida junto a segmentos influentes da opinião pública do Estado.

Ricardo sempre foi um político problemático, tanto para o PT como para o PSB – e o que impressiona é a desenvoltura com que ainda consegue assegurar espaços de influência ou persuasão junto a figuras com poder de mando, como a Sra. Hoffmann e o ex-presidente Lula da Silva. As atas de reuniões plenárias históricas do Partido dos Trabalhadores na Paraíba pontuam com nitidez a trajetória cambiante de Ricardo, marcada por gestos de desobediência ou infidelidade partidária e até embates que resvalaram para o desforço físico com figuras como o ex-deputado federal Luiz Couto, hoje sobrevivendo numa secretaria sem projeção no governo de Azevêdo. Não dá para ignorar que o PT da Paraíba instaurou processo disciplinar de expulsão de Ricardo e que este, ardilosamente, conseguiu escafeder-se abandonando os quadros do partido e logrando, na lábia, assumir o controle do PSB tabajarino. Mas, pelo visto, a esponja já foi passada. Até porque, de resto, a ética petista é muito frouxa, como se sabe.

Não obstante o espanto que se colhe com o registro da candidatura de Ricardo Coutinho a prefeito, mesmo estando ele sujeito a medidas restritivas e arrolado em depoimentos comprometedores apensos aos autos da Operação Calvário, o que se pergunta é qual a contribuição efetiva que o ex-governador e ex-prefeito pode trazer ao debate sobre o futuro da Capital paraibana. A opinião pública não merece ser insultada com palhaçadas políticas que atendem a um único objetivo: a sede de poder, ambição que, na verdade, tem movido os passos de Coutinho no cenário político do Estado. E é lamentável que a cúpula nacional do PT endosse esse espetáculo, dando prova eloquente de que não aprendeu nada com os erros e os malfeitos da história recente, sua e do controvertido personagem político paraibano.

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No período pós-eleitoral, a serenidade nos chama

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A versão e o fato

Vimos a carta de um grupo de professores do CCJ, que versa sobre a eleição para Reitor. Depois, o posicionamento de um professor da instituição, nacionalmente reconhecido por sua atuação no âmbito dos direitos humanos. Na sequência, o vídeo da candidata mais votada. Na fala de todos, um eixo comum: a defesa da democracia e da autonomia universitária.

O mesmo elo que cinge essa aliança eventual entre pessoas que se postaram em posições contrárias na eleição, igualmente nos une. Inquestionavelmente. Pela nossa prática, pela nossa conduta, pela nossa história. Somos diferentes e divergentes, mas, nesse ponto, nada nos separa. Há convergência plena de opinião, ideia e sentimento. A representatividade que nos foi conferida nas urnas pelos segmentos também nos leva a esse abraço fraterno.

Assim, defendemos que os conselheiros do CONSUNI homologuem o resultado da eleição e determinem a apuração rigorosa dos indícios de fraude, narrados em denúncia feita à Comissão Eleitoral. A democracia pressupõe cumprimento de regras, legalidade e lisura. Toda e qualquer irregularidade deve ser investigada. Diante de comprovação, quem deu causa deve ser punido. Só assim resguardamos o instituto da consulta e a instituição.

No entanto, mesmo defendendo esse posicionamento, está sendo amplamente difundida a ideia de que estamos propondo a anulação do pleito eleitoral. Refutamos veementemente essa afirmação! Ela não traduz a realidade, nem o que precisamos para o momento – serenidade, união, desprendimento e compromisso com a instituição.

Ao contrário do que se diz, de fato, o que queremos construir é uma unidade para enfrentar essa conjuntura adversa e cheia de incertezas. Assim, quando se afirma, em nota, que os conselheiros serão pressionados, consideramos essa atitude uma afronta. Ademais, trata-se de pré-julgamento e presunção imaginar um voto, que ainda não foi dado.

Por outro lado, colocar a nossa posição sobre o tema em dúvida, não faz jus, em absoluto, ao que somos. Precisamos entender que a fragmentação nos enfraquece. Não devemos provocar fissuras no nosso campo. Há uma narrativa única, articulada, que tende a contaminar até quem votou e fez campanha para Isac e Regina.

Por esse conjunto de fatores, entendemos que o discurso largamente disseminado nas redes sociais e na imprensa é equivocado e sem foco na realidade. Potencializa, projeta e traduz, como fato consumado, algo que não se comprova, por não ser real. Parece servir como uma vacina prévia, aplicada em organismo são, por medo do que não existe.

Somos sempre pela unidade em torno de conceitos e princípios universais, dentre eles, a democracia. Acreditamos que não será a vontade individual de alguém ou de grupos que vai definir os rumos do processo eleitoral, ao arrepio do que construímos ao longo de tantos anos de luta. Devemos aguardar com serenidade a votação dos conselheiros, na reunião do CONSUNI, no próximo dia 08 de setembro. Gostaríamos de deixar claro que há etapas no processo democrático e devemos estar coesos, em todas elas.

Por essas razões, antes disso, basear-se numa só peça do processo para fazer juízo de valor do todo não parece razoável. Achamos, salvo engano, cuidado desmedido, porém compreensível, daqueles que prezam pela democracia. A racionalidade, a razoabilidade e a cautela devem nos guiar. A maturidade cria ambiente ameno, contrário ao clima de beligerância fútil e inepta.

Então, devemos aguardar o desenrolar dos acontecimentos, com a serenidade e o espírito democrático que sempre orientaram as nossas trajetórias, refutando, com argumentos consistentes, o discurso até então único, que distorce o que é fato. Quem gosta, cuida. Individual e coletivamente. Temos a obrigação de cuidar de cada uma de nós e do todo, que é a UFPB – patrimônio nosso e do povo paraibano.

Devemos, pois, nos respeitar mutuamente. É necessário se pensar na imagem da instituição, acreditar na integridade dos seus conselhos superiores e na honestidade dos seus conselheiros. Temos certeza de que eles votarão, de acordo com as suas consciências, movidos pelos princípios que os levaram a ser representantes eleitos democraticamente pela comunidade universitária.

 

Francisco Ramalho, pró reitor de Gestão de Pessoas da UFPB

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Servidor publica artigo sobre política de desvalorização adotada pelo Governo Estadual

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O servidor público da Saúde estadual Fábio Petterson publicou um artigo nas redes sociais neste final de semana falando sobre o não-cumprimento, por parte do Governo Estadual, da Lei Complementar nº 58, de 30 de dezembro de 2003, que trata do Estatuto do Servidor.

De acordo com as informações, o atual Governo do Estado teria adotado a mesma política de desvalorização do servidor público estadual da Saúde que era praticada na gestão do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) que não cumpria alguns direitos dos servidores.

Confira a íntegra da publicação:

Segue à saga do não cumprimento da lei complementar n.58,de 30 dezembro de 2003 que é o estatuto do servidor da Paraíba.

Versarei alguns sobre alguns direitos que não foram cumpridos desde a gestão do senhor Ricardo Coutinho contudo a atual gestão estadual vem dando seguimento a essa política de desvalorização do servidor público estadual da saúde da Paraíba. Vejamos : Art.71 os servidores que trabalham ,com habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas ou radioativa fazem jus, a gratificação de insalubridade, periculosidade ou atividade penosa, de humilhados e decadentes 40,00 indubitavelmente falando. E independente da complexidade e da função exercida ex: uti, centro cirúrgico, enfermarias etc…

Art.77 versa sobre o adicional noturno, prestado em horário compreendido entre 22 horas e 5 horas do dia seguinte . Terá o valor hora acrescido de 25% HOJE O NAO PAGAMENTO DO PLANTÃO NOTURNO É TRATADO DE FORMA IMUTÁVEL PELO GESTOR…

Essa é algumas das situações vivenciadas pelos servidores da saúde estadual da Paraíba. Ass: Fábio petterson servidor.

Nem PCCR e nem estatuto nem na pandemia somos valorizados…

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