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Governo vai comprar produtos da agricultura familiar para 15 hospitais do Estado

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O Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES), vai adquirir, a partir de 2020, produtos da agricultura familiar para abastecimento de 15 hospitais da rede estadual de saúde. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Saúde, Geraldo Medeiros, e pela secretária executiva de Economia Solidária (Sesol), Roseana Meira, durante reunião, na manhã desta quinta-feira (5), com representantes de 22 cooperativas pertencentes à União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes-PB).

Na ocasião, o secretário Geraldo Medeiros enfatizou que o Programa de Economia Solidária tem o objetivo de atingir e auxiliar o pequeno produtor no sentido de que tenha meio de comercializar seus produtos. “A garantia da Secretaria Estadual de Saúde, através desse convênio com 15 hospitais estaduais, traz para estes pequenos agricultores e cooperativas, um alento e a segurança de que os seus produtos têm onde ser vendidos. Saímos dessa reunião com a efetivação do convênio que será publicado no início de janeiro, consequentemente garantindo para todo o ano de 2020 a compra da produção dos pequenos produtores que integram essas cooperativas”, afirmou o secretário.

Para a secretária executiva de Economia Solidária, Roseana Meira, a reunião foi um marco importante no processo de articulação junto às cooperativas. “A Sesol cumpre seu papel de facilitador para os empreendimentos poderem comercializar seus produtos sem a interferência de intermediários, atravessadores e que os órgãos adquiram produtos livres de agrotóxicos, e que tenhamos uma garantia ainda maior de segurança alimentar”, afirmou, ressaltando a importância da ação do Governo do Estado em prol do desenvolvimento da economia do Estado. “São recursos que chegam para as cooperativas, para as comunidades, para os produtores vinculados a essas cooperativas, são produtos hortifrutigranjeiros, laticínios, uma diversidade de produtos que movimentam as economias locais”, completou.

Roseana Meira adiantou que, além da articulação com a Secretaria de Estado da Saúde, já está agendada reunião entre as cooperativas e a Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia para nova discussão sobre compras institucionais para as escolas no âmbito do Estado; e ainda com a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária. “É uma ação conjunta, parceira entre o Estado e o Terceiro Setor para que avance do ponto de vista da economia solidária no Estado da Paraíba”, finalizou.

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Over Colégio e Curso chega a João Pessoa com estrutura confortável e humanizada

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Em 21 anos de atividade, o Over Colégio e Curso, de Natal, no Rio Grande do Norte, tornou-se referência em educação. Avaliado pelo Ministério da Educação (MEC) como a melhor rede de escolas desse estado, o Over está prestes a inaugurar o seu primeiro cursinho em João Pessoa. Com a proposta de oferecer educação inovadora e de alta qualidade, a escola também caprichou na estrutura física que vai receber os alunos, a partir do dia 4 de fevereiro.

Salas amplas, iluminação natural, acabamento em tons claros e cabines individuais são alguns dos atrativos do espaço físico construído no bairro de Miramar, em um terreno de 1.750 m². Cada sala de aula tem aproximadamente 100 m², enquanto as salas com cabines totalizam 67 m². Há ainda uma área administrativa (sala de professores, coordenação, copa, secretaria) e outra de convivência externa. Ao todo, são 660,5 m² de área construída. “O projeto priorizou o uso dos espaços para proporcionar segurança, acolhimento e conforto aos alunos, de forma que eles se sintam em casa”, ressaltou Patrícia Gurgel, arquiteta responsável pela obra.

O paisagismo também foi pensado para humanizar os setores internos e externos da escola, com o uso de plantas ornamentais indicadas especificamente para cada local. “Além disso, mantivemos algumas plantas já existentes. A partir de agora, elas terão poda e manutenção adequadas”, acrescenta Patrícia.

A escola é requintada até nos banheiros, onde foram usados materiais nobres como mármore, revestimento bisotado cinza, cubas de sobrepor e portas em vidro temperado branco. “A nossa ideia era fugir do padrão de projetos corporativos e trazer uma ideia mais moderna e mais parecida com o que seria o lavabo da casa do aluno, por exemplo”, explica.

Na fachada interna, o ar de elegância vem do cinza escuro e das esquadrias de vidro nas salas de aula e na recepção, o que contribui para a iluminação natural do ambiente interno. Já a parte externa foi pensada com arcos grandes e altos, no vermelho padrão da marca, para proporcionar imponência e movimento à edificação. “Esse arco é um elemento bem marcante, que foi pensado ainda no nascimento do conceito arquitetônico”, diz a arquiteta.

Alicerce para o futuro – A casa está quase pronta para receber os futuros alunos – que, além de um espaço pensado para eles, contarão com uma educação de alta qualidade. O Over Colégio e Curso conquistou credibilidade ao oferecer educação inovadora e com foco na formação humanista, ética, crítica e reflexiva, a fim de promover excelência humana e acadêmica por meio de uma proposta pedagógica transformadora. “Os nossos resultados comprovam que temos um trabalho de excelência. Os alunos paraibanos terão a melhor preparação para o Enem, com didática consagrada e professores experientes”, afirma o professor Carlos André, diretor do Over.

Over Colégio e Curso

Avenida Senador Ruy Carneiro 405, Brisamar, João Pessoa

Dúvidas e informações: (83) 3506-6221 / 99386-1061 / 99385-0373

www.overcolegioecurso.com.br / @overjoaopessoa / @overcolegioecurso

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Solar Tambaú emite nota e nega denúncia de lavagem de dinheiro desviado em Angola

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Nota

A respeito de matéria jornalística produzida pela Agência Pública e divulgada em alguns sites no último final de semana, a direção do empreendimento imobiliário Solar Tambaú vem a público esclarecer:

Todo o investimento estrangeiro realizado para a construção do Solar Tambaú entrou no Brasil através do sistema bancário nacional, devidamente justificado e fiscalizado por todos os órgãos de controle do Banco Central (SISBACEN) e respeitando todas as regras bancárias brasileiras, que estão entre as mais rígidas do mundo.

Solar Tambaú – Os diretores do empreendimento, tão logo foram acionados pela Justiça brasileira, apresentaram toda a documentação do Solar Tambaú, inclusive as transferências bancárias, que comprova a legalidade do investimento, desde a compra do terreno até o processo de construção, que segue os mais rigorosos métodos de construção civil.

Portanto, os investidores e parceiros do Solar Tambaú podem ficar absolutamente tranquilos quanto a lisura do empreendimento e certos de que todas as informações que solicitadas pelas autoridades brasileiras foram prestadas com toda a clareza necessária.

O Solar Tambaú é um investimento feito majoritariamente pelo investidor angolano José Carlos de Castro Paiva. É mentira que a senhora Isabel dos Santos tenha qualquer participação no Solar Tambaú ou relação de negócios com o investidor José Carlos de Castro Paiva.

Tal insinuação seguramente ocorre devido às questões da política interna de Angola e está sendo alimentada de maneira leviana por pessoas envolvidas em diversos crimes contra o patrimônio privado aqui na Paraíba e que a justiça brasileira saberá julgar os responsáveis.

Qual a ligação entre o Solar Tambaú e Mussulo – O empreendimento Solar Tambaú não tem ligação corporativa e administrativa com o Resort Mussulo By Mantra a não ser pelo fato do senhor José Carlos de Castro Paiva ser proprietário de 03 (três) dos 102 (cento e dois) bangalôs do resort.

Enquanto o Solar Tambaú é um investimento feito majoritariamente pelo investidor José Carlos de Castro Paiva, o Resort Mussulo By Mantra foi construído por um grupo de 60 (sessenta) investidores angolanos que, em busca de oportunidades de negócios, viu na ausência de um resort de padrão internacional na Paraíba, uma boa oportunidade de investimento.

Golpe no Mussulo – O primeiro e único resort da Paraíba, inaugurado em 2009, teve as suas atividades encerradas em 2019. Infelizmente o empreendimento foi vítima do golpe financeiro praticado nos anos anteriores, por parte de pessoas que o gerenciava, resultando até na prisão dos envolvidos e abertura de ação penal contra os criminosos, movida pelos investidores.

O encerramento das atividades do Mussulo no ano passado, provocado pela gestão temerária de outros funcionários graduados causou a perda dos empregos de cerca de 150 trabalhadores e trabalhadoras, que de lá tiravam os seus sustentos e contribuíam para o desenvolvimento turístico do Estado.

Não é demais relembrar os saques ocorridos no resort em novembro de 2019, incentivados pelos referidos ex-funcionários graduados, após o encerramento das atividades do Mussulo, com o furto até de documentos do estabelecimento, além do furto dos equipamentos de todos os bangalôs, está sendo objeto de inquérito policial.

Assessoria de Comunicação

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Revista Piauí: Mussolo e Solar de Tambaú lavaram dinheiro de corrupção desviado na Angola

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“Eles não economizaram aqui”, afirma, solícita, uma das vendedoras dos 130 apartamentos do Solar Tambaú, empreendimento imobiliário de luxo à beira-mar em João Pessoa, na Paraíba. “Além dos milhões e milhões que colocaram aqui para comprar o terreno, ainda investiram bastante nos apartamentos. Ele trouxe tudo o ‘top do top’ de construção no mundo”, afirma a jovem vendedora, sobre seu chefe português.

De fato, na construção do edifício não houve um traço de austeridade: os R$ 20 milhões que, estima-se, foram gastos para erguer o condomínio saltam aos olhos nos apartamentos com iluminação controlada pelo celular, esquadrias alemãs e mosaicos italianos. E a 30 quilômetros dali o mesmo investidor angolano teria gasto outros R$ 70 milhões para construir um dos mais luxuosos resorts do litoral paraibano, o Mussulo, cujos mais de cem bangalôs representaram durante anos a pujança do investimento estrangeiro no Nordeste, destaca reportagem da Piauí.

A suntuosidade de ambas as construções, contudo, disfarça a origem dos recursos que as tornaram possíveis: uma rota de desvio, sonegação e lavagem de dinheiro internacional, segundo a Polícia Federal (PF). Durante cerca de sete anos, a PF investigou o homem por trás dessa rota: o angolano José Carlos de Castro Paiva, figura de confiança do político que governou Angola por quase 40 anos – José Eduardo dos Santos. Castro Paiva foi durante 25 anos diretor-geral em Londres da poderosa estatal petrolífera angolana, a Sonangol.

Segundo um inquérito da PF obtido pela Agência Pública, Castro Paiva desviou dinheiro sujo do país africano para os empreendimentos imobiliários na costa paraibana. A complexa trama de ocultação de moedas e patrimônio, operada por meio de uma série de empresas em paraísos fiscais, envolveria também a filha do ex-presidente de Angola, Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África e alvo da série de reportagens do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) do qual a Pública participa: a Luanda Leaks.

A investigação da PF que apontava indícios de peculato, desvio de verbas, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro contra Castro Paiva foram enviadas ao MPF. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o inquérito corre em sigilo.

De toalha, lavando dinheiro no Brasil

José Carlos de Castro Paiva estava na cama com uma mulher não identificada, usando apenas toalha enrolada na cintura, quando a PF entrou no quarto do hotel onde se hospedara em João Pessoa. Era 2017, cerca de sete anos após as autoridades terem colocado o banqueiro angolano no radar, em busca da origem do dinheiro estrangeiro que financiava empreendimentos milionários na costa da Paraíba.

Foram contatos no setor imobiliário que deram a pista à PF: os mesmos empresários que haviam construído o famoso resort Mussulo, no litoral sul do estado – inaugurado em 2009 –, finalizavam um segundo empreendimento luxuoso, dessa vez na própria capital. Era o Solar Tambaú, prédio de cinco andares no privilegiado ponto da orla da cidade onde grandes letras fincadas no calçadão proclamam “Eu <3 Jampa”. Inaugurado em 2017, o Solar Tambaú tem vista para o ponto de parada obrigatório para qualquer turista que visita a cidade.

O homem por trás de ambos os negócios, Castro Paiva, trazia milhões do exterior por meio de contas estrangeiras em empresas em paraísos fiscais, irrigando os cofres do resort e do Solar Tambaú.

A trama se revelou ainda mais intrincada quando a polícia obteve o mandado de busca e apreensão e surpreendeu Castro Paiva no hotel. Trêmulo e nitidamente envergonhado, o angolano entregou às autoridades o celular com suas prolíficas conversas via WhatsApp.

As mensagens revelaram, além de um estilo de vida regado a champanhe francês Moët & Chandon, a proximidade de Castro Paiva com o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, com membros do alto escalão do Banco Angolano de Investimentos (BAI), além de um operador financeiro investigado pelo Senado dos Estados Unidos. E mais: documentos e uma agenda apreendidos revelaram registros de transações financeiras que indicavam um esquema de triangulação de dinheiro que saía de Angola, passava por empresas em paraísos fiscais e aportava no litoral da Paraíba.

De acordo com as investigações, Castro Paiva teria internalizado divisas estrangeiras equivalentes a cerca de R$ 13 milhões para a construção do resort Mussulo em 2009, por meio de uma obscura empresa chamada Mobilware, registrada na ilha caribenha de Dominica. O contrato para a vinda do dinheiro foi fechado com um homem apontado como “laranja” no esquema e o banco Sul Atlântico, com sede em Praia, capital do Cabo Verde.

A Pública procurou Castro Paiva através do Banco Angolano de Investimento e questionou o angolano sobre as acusações da PF e sua relação com o Resort Mussulo e o Solar Tambaú. A reportagem também perguntou a Castro Paiva sobre as denúncias de corrupção em Angola e desvio de dinheiro público das estatais africanas, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.

Segundo a PF, os milhões terminaram na conta da GBF Empreendimentos Imobiliários e de Turismo, empresa registrada na Paraíba cujo dono de fato seria o português João Carlos Guerra Alves Pina Ferreira.

Segundo o inquérito, Pina Ferreira é um personagem-chave no esquema angolano: empreiteiro residente em João Pessoa, ele seria o sócio majoritário da empresa Mussulo Ltda., para a qual Castro Paiva destinou dinheiro vindo do exterior. Além de ex-diretor da GBF, Pina Ferreira é presidente da JCP Construções e Incorporações, empresa da qual Castro Paiva é conselheiro de administração. Ele teria atuado como gerente operacional tanto na construção do Resort quanto na do Solar.

Em 2017, cerca de oito anos após a inauguração do resort, mais dinheiro chegaria via Mussulo. Dessa vez, a transação ocorreu por meio da empresa que é proprietária do empreendimento, uma sociedade anônima também de nome Mussulo, porém registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, arquipélago do Caribe pertencente ao Reino Unido.

Desse paraíso fiscal partiram US$ 4 milhões, enviados via Geneva Wealth Capital Management, uma offshore de propriedade de Leonard Cathan, homem apontado pelo inquérito policial como um especialista em transações financeiras para ocultação de patrimônio. Em outras palavras, um profissional em lavagem de dinheiro.

Cathan, que estava na Paraíba com Castro Paiva em 2017, também teve seus documentos apreendidos pela PF. De acordo com o material analisado pelos policiais, ele maneja uma série de empresas offshore em benefício de Castro Paiva, como a Geneva. A lista de offshores inclui a Investec Bank, registrada em um terceiro paraíso fiscal, as Ilhas Maurício, arquipélago no oceano Índico a cerca de 2 mil quilômetros da costa sudeste do continente africano. Segundo as investigações, a Investec Bank de Cathan era usada também por Isabel dos Santos, filha do então presidente angolano que era tido como um ditador por organizações de direitos humanos.

Dinheiro do petróleo angolano roda o mundo em paraísos fiscais

José Carlos de Castro Paiva é um angolano de Golungo Alto, da província de Cuanza-Norte, que começou a carreira no mercado bancário português e passou a atuar no governo de Angola logo após o país ter se tornado independente, em 1975. Em 1976, já ocupava uma cadeira no importante Ministério de Recursos Minerais e Petróleo, de onde subiu posições até ocupar o posto de chefe do departamento de comercialização.

Era uma época de ascensão para a indústria petrolífera nacional: há registros de exportação de petróleo angolano desde o século 18, mas foi a partir da década de 1960 que a produção de fato escalou, culminando com a criação da estatal Sonangol – a Petrobras de Angola – em 1975. O petróleo passou de coadjuvante na economia angolana para representar cerca de um terço do PIB do país. Hoje, Angola é o segundo maior exportador da África, atrás da Nigéria, e faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opec).

Os passos seguintes de Castro Paiva, que se tornou um homem de confiança do presidente José Eduardo dos Santos, foram justamente na Sonangol – ele ocupou o cargo de diretor-geral da empresa na filial do Reino Unido entre 1987 e 2012 e, depois, permaneceu como administrador não executivo da estatal. Ao mesmo tempo, a partir de 1999, assumiu posições importantes no Banco Angolano de Investimentos, o primeiro banco privado do país, mas cujo sócio majoritário é a própria estatal de petróleo Sonangol.

A relação entre ambas as empresas é íntima – e problemática. Em 2010, uma investigação do Senado dos Estados Unidos apontou que executivos da Sonangol ocupavam cargos-chave no BAI e que o próprio Castro Paiva detinha 18,5% das ações do banco a partir de empresas offshore com o objetivo de “não atrair atenção indesejada” à sua participação no banco, segundo o Senado americano. Por meio das empresas offshore, Castro Paiva teria alcançado o posto de sócio majoritário do banco.

Foi na Sonangol que Castro Paiva teve ligação direta com Isabel dos Santos, filha mais velha de José Eduardo dos Santos. Segundo investigação do jornalista investigativo Rafael Marques, recursos desviados da filial da Sonangol no Reino Unido – da qual Castro Paiva foi diretor e, em seguida, administrador – chegavam à offshore Investec das Ilhas Maurício: justamente a empresa operada por Leonard Cathan, especialista em transações financeiras que trouxe o dinheiro de Castro Paiva à Paraíba.

Da Investec, o dinheiro da Sonangol seria usado por Isabel dos Santos para remunerar ilegalmente executivos da própria estatal, à época presidida por ela mesma, que apoiariam a sua direção à frente da petrolífera. Um petrolão à angolana.

Com um patrimônio estimado pela Forbes em algo próximo de US$ 2,3 bilhões, Isabel dos Santos entrou para o noticiário financeiro como a primeira mulher bilionária da África e a mais rica do continente. Além de ter dirigido a Sonangol, atuou junto à Sodiam, estatal de diamantes, possui uma joalheria suíça, é dona de uma rede de supermercados e tem participação em empresas como a Unitel (de telecomunicações), a ZAP (canal de TV) e o banco privado BIC.

Mais recentemente, Isabel também tem aparecido no noticiário pela suspeita de ter desviado US$ 1 bilhão – o equivalente a cerca de R$ 4 bilhões – de recursos públicos para a sua fortuna pessoal.

Ao final de dezembro do ano passado, a Procuradoria-Geral da República de Angola confiscou bens e contas bancárias de Isabel, de seu marido congolês, Sindika Dokolo, e de Mário Leite da Silva, presidente do Banco de Fomento de Angola. Já a Polícia Judiciária Portuguesa interceptou uma transferência de 10 milhões de euros que ela tentava enviar à Rússia por meio da Sonangol e da Sodiam, estatal de diamantes. A filha mais velha do ex-presidente angolano deixou de viver no país há um ano, segundo notícias da imprensa.

Em entrevista ao Financial Times em janeiro, Isabel disse estar em um inespecífico “país africano”, enquanto uma reportagem do jornal português Expresso afirmou que ela possui residência fixa em Dubai, nos Emirados Árabes.

Isabel nega todas as acusações.

 

Um solar de luxo escolhido a dedo pelo dinheiro angolano

As transações financeiras de Castro Paiva na Paraíba, segundo as investigações da PF, não se limitaram “apenas” aos milhões que entraram no resort via paraísos fiscais no Caribe e na costa da África. O angolano recorreu também a uma figura conhecida pelas autoridades internacionais de combate ao desvio de dinheiro: um operador financeiro chamado Theodore Jameson Gilleti, que opera o banco britânico Standard Chartered Bank.

O banco, que foi condenado nos EUA a pagar uma multa de US$ 227 milhões por transações financeiras ilegais, tem forte atuação em Angola – a estatal de seguros do país, a Ensa, detém 40% das suas ações. Gilleti é diretor no BAI.

De acordo com a PF, Gilleti movimenta dólares americanos do BAI para beneficiar os controladores da instituição, como Castro Paiva, além de interceder para liberar limites milionários nos cartões de crédito dos dirigentes do Standard. Segundo as investigações, o americano utilizou o Standard para movimentar R$ 5 milhões da Sonangol para o Mussulo, em 2011. A transação ocorreu por meio de uma conta, no Santander, da empresa Mussulo Ltda, na Paraíba, da qual o empreiteiro Pina Ferreira é sócio.

Além disso, segundo as investigações, Gilleti operou com Castro Paiva para trazer R$ 10 milhões para o Solar Tambaú, em 2012.

A Pública procurou Gilleti através da Standard Chartered. Incialmente, recebemos uma confirmação que a reportagem seria respondida, o que não ocorreu até a publicação.

O metro quadrado mais caro de João Pessoa

A reportagem da Pública esteve no condomínio no final de 2017, anonimamente. Naquela época, segundo a agente de vendas, 40% das unidades haviam sido vendidas. “O povo tem aplicado dinheiro. Eu recebo gente de Brasília, Rio de Janeiro, de São Paulo, que quer se aposentar aqui”, disse a vendedora.

A jovem explicou que, do terreno aos detalhes de decoração de cada apartamento, tudo foi escolhido a dedo pelos seus “patrões” – o português Pina Ferreira e sua esposa, que tratavam diretamente com os funcionários. “Aqui é o metro quadrado mais caro de João Pessoa”, comemorou. Mereciam destaque nos apartamentos, por exemplo, mosaicos italianos nas paredes das unidades, minuciosamente planejados por um arquiteto vindo da Europa especialmente para implementar a decoração. As portas, de madeira maciça, são igualmente italianas. Já as janelas receberam vidros duplos e as paredes, fibra de vidro para não aquecerem com o calor paraibano.

Diante de uma janela, a agente interrompeu a visita para compartilhar outro exemplo: as esquadrias, brancas, de alumínio composto inoxidável, que bloqueiam o sol nas horas mais quentes do dia, foram trazidas da Alemanha. “Isso aqui é alemão, três vezes mais caro que o chinês, mas todo mundo usa o chinês. Aí compraram o alemão. Então, ele triplicou o custo do revestimento, ninguém ia saber que ele estava comprando três vezes mais caro”, se gaba a vendedora. “Minha chefe disse: ‘Você diga às pessoas que isso aqui é alemão’”, explicou.

Segundo a vendedora, o terreno do Solar Tambaú pertencia a um antigo casarão, famoso na capital, que ficou abandonado por muito tempo antes de o dinheiro angolano conseguir arrebatá-lo. “Ninguém conseguia comprar porque ninguém tinha cacife”, disse a jovem. Entre os 130 apartamentos, há modelos de 47 a 337 m², além de lojas – entre elas, um estande de tiro.

No térreo, uma enorme piscina azul completa um deque de madeira, onde há um bar e mesinhas redondas ornamentados por vasos com coqueiros. “Tem até som de passarinho artificial quando você chega em um ambiente”, alegra-se.

A reportagem questionou a administração do Solar sobre as acusações de corrupção e a relação com Castro Paiva e Pina Ferreira, mas não obteve resposta. Após a publicação da reportagem, o Solar enviou uma nota afirmando ter entregue à Justiça toda a documentação do empreendimento e assegurando a lisura do Solar. A assessoria do Solar afirmou ser “mentira que a senhora Isabel dos Santos tenha qualquer participação no Solar Tambaú ou relação de negócios com o investidor José Carlos de Castro Paiva”. O Solar ainda acrescentou que o resort Mussulo não está ligado ao empreendimento a não ser “pelo fato do senhor José Carlos de Castro Paiva ser proprietário de 03 (três) dos 102 (cento e dois) bangalôs do resort”, disse a assessoria. Leia a nota na íntegra.

Hoje em dia o Solar Tambaú está de vento em popa, com boa parte dos apartamentos sendo alugada para temporadas e estadas curtas – com uma vista privilegiada do show que acontece na noite de Réveillon logo em frente.

Resort milionário acumula reclamações e denúncias de golpe

O Mussulo – nome que homenageia uma baía no litoral angolano – teve um destino bem menos glorioso.

Os milhões investidos por Castro Paiva no resort não foram suficientes para assegurar a rentabilidade do empreendimento, o que reforça, segundo as investigações da PF, a acusação de lavagem de dinheiro. Descrito no passado por agências de viagens como “paraibadisíaco”, o Mussulo é uma propriedade de 96 mil metros quadrados com serviço all-inclusive, que dá aos hóspedes direito de comer e beber durante 24 horas, além de frequentar piscinas, sauna e spa. Contudo, de acordo com reclamações de hóspedes e reportagens na imprensa, o resort incluiu outro serviço em seu menu: o calote.

Em 2019, explodiram em sites de consumidores reclamações de turistas que não teriam conseguido se hospedar de fato no resort, apesar de terem feito reservas e pago a hospedagem. Há reclamações de reservas que desapareceram do sistema e mesmo de clientes que compraram pacotes e se depararam com as portas do resort fechadas.

Uma reportagem de um portal na Paraíba acusa o resort de continuar vendendo diárias através da internet para, depois, ligar para os hóspedes cancelando ou transferindo a hospedagem para outros hotéis. Segundo a matéria, 60 funcionários foram demitidos ou desligaram-se por vontade própria entre março e setembro de 2019 e há empregados que ainda estão sem receber. Em um site de hospedagem, um usuário descreve o Mussulo como uma cidade fantasma: “Abandono total. Instalações ótimas, sujeira dominando. Não encontrei uma pessoa sequer para informar sobre o ocorrido”.

A Pública procurou o resort e questionou sobre o fechamento do estabelecimento e sobre as acusações de hóspedes. A reportagem também questionou o estabelecimento sobre as acusações de corrupção envolvendo a operação da Polícia Federal e a relação com Castro Paiva e Pina Ferreira. Não houve um comunicado oficial de fechamento do resort, mas suas redes sociais foram desativadas.

O outro lado

A respeito de matéria jornalística produzida pela Agência Pública e divulgada em alguns sites no último final de semana, a direção do empreendimento imobiliário Solar Tambaú vem a público esclarecer:

Todo o investimento estrangeiro realizado para a construção do Solar Tambaú entrou no Brasil através do sistema bancário nacional, devidamente justificado e fiscalizado por todos os órgãos de controle do Banco Central (SISBACEN) e respeitando todas as regras bancárias brasileiras, que estão entre as mais rígidas do mundo.

Solar Tambaú – Os diretores do empreendimento, tão logo foram acionados pela Justiça brasileira, apresentaram toda a documentação do Solar Tambaú, inclusive as transferências bancárias, que comprova a legalidade do investimento, desde a compra do terreno até o processo de construção, que segue os mais rigorosos métodos de construção civil.

Portanto, os investidores e parceiros do Solar Tambaú podem ficar absolutamente tranquilos quanto a lisura do empreendimento e certos de que todas as informações que solicitadas pelas autoridades brasileiras foram prestadas com toda a clareza necessária.

O Solar Tambaú é um investimento feito majoritariamente pelo investidor angolano José Carlos de Castro Paiva. É mentira que a senhora Isabel dos Santos tenha qualquer participação no Solar Tambaú ou relação de negócios com o investidor José Carlos de Castro Paiva.

Tal insinuação seguramente ocorre devido às questões da política interna de Angola e está sendo alimentada de maneira leviana por pessoas envolvidas em diversos crimes contra o patrimônio privado aqui na Paraíba e que a justiça brasileira saberá julgar os responsáveis.

Qual a ligação entre o Solar Tambaú e Mussulo – O empreendimento Solar Tambaú não tem ligação corporativa e administrativa com o Resort Mussulo By Mantra a não ser pelo fato do senhor José Carlos de Castro Paiva ser proprietário de 03 (três) dos 102 (cento e dois) bangalôs do resort.

Enquanto o Solar Tambaú é um investimento feito majoritariamente pelo investidor José Carlos de Castro Paiva, o Resort Mussulo By Mantra foi construído por um grupo de 60 (sessenta) investidores angolanos que, em busca de oportunidades de negócios, viu na ausência de um resort de padrão internacional na Paraíba, uma boa oportunidade de investimento.

Golpe no Mussulo – O primeiro e único resort da Paraíba, inaugurado em 2009, teve as suas atividades encerradas em 2019. Infelizmente o empreendimento foi vítima do golpe financeiro praticado nos anos anteriores, por parte de pessoas que o gerenciava, resultando até na prisão dos envolvidos e abertura de ação penal contra os criminosos, movida pelos investidores.

O encerramento das atividades do Mussulo no ano passado, provocado pela gestão temerária de outros funcionários graduados causou a perda dos empregos de cerca de 150 trabalhadores e trabalhadoras, que de lá tiravam os seus sustentos e contribuíam para o desenvolvimento turístico do Estado.

Não é demais relembrar os saques ocorridos no resort em novembro de 2019, incentivados pelos referidos ex-funcionários graduados, após o encerramento das atividades do Mussulo, com o furto até de documentos do estabelecimento, além do furto dos equipamentos de todos os bangalôs, está sendo objeto de inquérito policial.

Assessoria de Comunicação

Luanda Leaks

O Luanda Leaks é realizado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), do qual a Agência Pública participa, com mais de 120 repórteres de 20 países. No Brasil, além da Agência Pública, a revista piauí e o Poder360 também integram o projeto.

 

 

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