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Quando o assunto é vereador, os de Bayeux, Cabedelo e Santa Rita não têm dado bons exemplos

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Quando o assunto é vereador, os que integram as Câmaras de Bayeux, Cabedelo e Santa Rita – Região Metrolitana de João Pessoa – não têm dado bons exemplos aos eleitores. Ontem, em mais uma operação do Gaeco, Ministérios Públicos da Paraíba, Pernambuco e do Rio Grande do Sul, com apoio da polícia,, prendeu em flagrante 11 vereadores da Câmara de Santa Rita, entre eles o presidente do Legislativo, Anésio Miranda.

O motivo: farra de diárias para pagamento de um suposto congresso realizado para agentes públicos, em Gramado (RS). Neste período do ano, a cidade, que é turística, abre seu ‘Natal Luz’, que dá nome a operação. Coincidência? De jeito maneira. Eu começo a achar que ser “cara de pau” é pré-requisito para político que busca mandatos – vamos salvaguardar alguns, claro, destaca coluna da jornalista Lena Guimarães, no Correio da Paraíba.

Primeiro, os únicos inscritos nesse tal congresso eram os vereadores paraibanos, mais o contador da Câmara. Ah! Um colega de Largato (SE) também fez companhia. A única palestrante vem a ser uma servidora da Câmara de Barra de Coqueiro, também em Sergipe, e que no dia da palestra estava no Ceará. Deve ter o dom da onipresença.

O pior de tudo: a sensação de impunidade que faz com que políticos dessa natureza riam da cara do eleitor. Será que você, caro eleitor, anda tão bem das pernas de forma a financiar essa brincadeira com recursos públicos. Tenho para mim que não. Então, vamos ter mais consciência. Ao invés de charminho de foto na urna votando, vamos prestar mais atenção ao voto dado.

Os vereadores, claro, se defendem. Só um adendo: todos estavam acompanhados de familiares. Eles juram de pé junto que estavam sim participando de um congresso, mas foram vigiados de perto por membros do MP do Rio Grande do Sul. Eu só sei que foram pagos mais de R$ 69 mil em diárias, sem falar em passagens, hospedagens e sabe-se lá o que mais. Para vocês terem uma ideia, desde que assumiram o mandato em 2017, até o momento, os 19 vereadores da Câmara já embolsaram mais de R$ 1,3 milhão em diárias.

Vocês podem até perguntar: esses vereadores perderão o mandato? Quase impossível porque, como diria um companheiro de redação, oito não cassam 11, né verdade. Há pouco menos de um ano para as eleições de 2020 vamos assistindo a essas aberrações sem poder fazer quase nada. Seguem o mesmo exemplo de Cabedelo, 11 foram presos por envolvimento na operação Xeque mate, mas continuam escapando da cassação e ainda recebendo salários. É desmantelo, viu?

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Artigo: Taxa Selic a 3% e os indícios de novos cortes: O que isso significa?

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Rodrigo Alcântara, economista e assessor de investimentos na Atrio Investimentos

A taxa básica da economia, a Selic, aparece recorrentemente nos noticiários e sabemos que ela afeta de alguma forma a economia e os investimentos. No dia 6 desse mês, o Banco Central definiu a redução dessa taxa meta em 0,75%, assim, ela deixou de ser 3,75 ao ano e agora é 3%. Mas como funciona esse dinamismo de alteração da taxa de juros Selic e qual é, de fato, o impacto e significado destas alterações em nossas vidas?

O Sistema Especial de Liquidação de Custódia (Selic), não é nada mais que um sistema do Banco Central, que é responsável por registrar praticamente todas as transações de títulos do Tesouro Nacional, e desta maneira, gerencia o fluxo de compra e venda destes títulos pelos bancos. O Banco Central também obriga os bancos a deixarem um caixa da instituição, uma espécie de reserva, diariamente em uma conta na própria instituição financeira. Ou seja, os bancos precisam deixar suas contas equilibradas todos os dias com o Banco Central e a Selic registra todas as transações de títulos realizadas pelos mesmos.

O objetivo desse controle de caixa dos bancos e registro de negociações de títulos é simples, não deixar com que a economia real fique com excesso de dinheiro em circulação, o que consequentemente, tende a aumentar o consumo e, logo em seguida, os níveis de preços dos produtos, ou seja, a inflação.

Como os bancos precisam “prestar contas” ao Banco Central diariamente, pode acontecer de um deles precisar de recursos para equilibrar as suas contas.  Para isso, o governo remunera o segundo banco, que empresta o recurso ao banco solicitante. Esse “empréstimo” é baseado e garantido por títulos do Tesouro Nacional, e por isso, essa média ponderada, ajustada e anualizada das negociações é chamada de Taxa Selic. Não confundam com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que tem o mesmo objetivo de empréstimo de recursos entre bancos, mas não leva a garantia dos títulos e sim o próprio recurso financeiro dos bancos. Normalmente, a Selic e o CDI oscilam juntos, sendo o CDI um pouco menor que a Selic.

O que normalmente escutamos nos noticiários é que “o Banco Central, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), cortou a taxa de juros Selic” e acaba deixando um questionamento: por que o Banco Central intervém com cortes ou incremento da Selic? Como eu disse, ele precisa controlar os níveis de preços, a inflação, e com isso utiliza a meta da taxa Selic – que é votada na reunião do Copom – como ferramenta de política monetária. Ou seja, o governo, por meio do Banco Central, consegue decidir por alterar essa taxa para controlar a inflação, reduzindo ou aumentando o fluxo de dinheiro na economia.

Quando a Selic está alta, normalmente as pessoas são influenciadas a comprar títulos do governo e títulos de renda fixa – que possuem baixo risco – e deixam de consumir no presente, o que acaba reduzindo o fluxo de dinheiro na economia. Quando a taxa de juros está baixa, a tendência é que as pessoas troquem o consumo futuro pelo consumo presente, estimulando assim o comércio e aumentando a liquidez – quantidade de dinheiro que está livre para consumo e investimento – no mercado.

Essa taxa também é importante para outros fatores. A Selic, além de ser usada como referência para remunerar investimentos, também é aplicada em empréstimos de bancos às famílias e empresas, por exemplo. Quando a taxa de juros está em patamares baixos, as pessoas tendem a empreender mais, arriscar em investimentos de bolsa de valores e até mesmo aumentar o consumo da família. Mas quando a taxa está em patamares elevados, a população tende a ficar desestimulada a consumir e empreender.

Dados retirados dos indicadores econômicos do Serasa Experian e do Banco Central, apontam que em anos de taxas de juros alta, como em 2016, que chegou ao patamar de 14,25% ao ano, aproximadamente 1,9 milhão de empresas foram criadas. Já em 2019, ano passado, que finalizamos com a menor taxa de juros já vista no Brasil, no patamar de 4,5% ao ano, tivemos o nascimento de aproximadamente 3,1 milhões de empresas, ou seja, houve um aumento de 63%. Para que arriscar ganhar uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 13% ao ano criando uma empresa, se eu posso simplesmente comprar um título do governo que rende isso, não é verdade?

No cenário atual, com a pandemia de Covid-19, não é diferente. O governo chegou a reduzir drasticamente a taxa de juros Selic, com o intuito de animar a economia e fazer com que as pessoas voltassem a consumir. Isso desestimulou o investimento de baixo risco – que foi uma das causas que levaram os estrangeiros a pararem de comprar estes títulos –, e o mais importante, impulsionou o crédito e o empréstimo. O crédito com baixo custo se torna essencial nesse momento, pois pode contribuir para que as empresas mantenham os empregos de seus funcionários, continuem funcionando, gerem oferta e, com esperança, permaneçam saudáveis para fomentar a retomada do equilíbrio e ritmo econômico natural de oferta e demanda após a pandemia.

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Qual lição levar de uma crise?

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A crise que se instalou no Brasil desde a chegada do novo coronavírus no Brasil vem afetando diversos setores e já se compara a crise financeira global de 2008 e 2009. CEOs e líderes de grandes empresas separaram lições que levaram de crises anteriores e como estão lidando com a atual.

Leandro Herrera, CEO da Tera

A principal crise que a Tera viveu até hoje está sendo a atual pandemia da Covid-19. Na época em que a doença se alastrava pela Europa e havia acabado de chegar no Brasil, fiz uma análise de todo aquele cenário e conclui que o nosso modelo de operação, ainda focado em aulas presenciais, precisaria – em sete dias – ser inteiramente readaptado para um modelo totalmente remoto, algo inédito na história da nossa empresa. Durante esse processo, pude aprender algumas lições que se mostraram importantes não só para mim, mas também para a Tera do pós-coronavírus. Descobri que as pessoas gostam muito de desafios e que para motivá-las na tomada de decisões é preciso oferecer um contexto e informações. Além disso, pude aprender que, durante uma crise, as lideranças acreditam possuir a responsabilidade de trazer as respostas, quando na verdade, devem possuir a responsabilidade de trazer o contexto. O contexto do problema, a direção dos elementos que podem impactar os negócios e uma estratégia para lidar com o cenário levantado, são essenciais para que um líder motive a sua equipe a manter o propósito da organização e os objetivos dela vivos. Aplicando todos esses conhecimentos e adaptando a nossa metodologia para um modelo mais híbrido, a crise virou uma grande oportunidade para a Tera, já que voltamos a crescer, mas desta vez como uma empresa de ensino a distância.

Cássio Bariani, CEO da SmartBrain

A primeira questão muito importante que a crise do coronavírus levantou para a maioria dos CEOs e gestores de empresas, que foi diferente das anteriores, é o zelo e a preocupação com a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Além disso, despertou ainda mais o senso de solidariedade em relação às pessoas, não somente no ambiente de trabalho.

A grande mudança nesta crise é trabalhar 100% em home office, algo que não havia sido testado anteriormente na empresa, mas que tem se demonstrado extremamente viável. Na prática, percebemos que a tecnologia e o home office garantem mais flexibilidade e encurtam caminhos. Por exemplo, é possível contratar pessoas ou fornecedores em outras cidades e até países e coordenar e interagir como se estivessem no escritório. São novas formas de trabalho e de fazer negócios. Mesmo com as nossas equipes totalmente em home office, fomos capazes de desenvolver e lançar uma nova versão do nosso principal produto, o Advisor, um consolidador de investimentos com interface super amigável, no modelo SaaS (Software as a Service).

Paulo Salvi, CEO da TopMed:

“Em épocas de crise, por mais que tenhamos planejado, haverá situações imprevisíveis e que demandam uma capacidade de adaptação imediata. Nestas situações ficam muitos expostas todas as deficiências que temos em nossos processos, ferramentas e pessoas. Aquelas questões que consideramos menos importantes, e vamos sempre deixando para resolver depois, surgem com força na crise, que exacerba as dificuldades ao máximo.  Por outro lado, é justamente nestes momentos que surgem habilidades e forças em sua equipe que estavam ocultas, ou que ao menos não estavam sendo plenamente utilizadas. São estas forças, e a capacidade de se adaptar e resolver os problemas rapidamente, que determinarão o tamanho do impacto da crise em sua instituição. Ao final, pode até ser uma oportunidade.”

Ubirací Mercês, CEO da Sanar

“O mundo que a gente habita é cheio de inércias. As pessoas tendem a seguir as mesmas rotas dentro da cidade e/ ou consumir marcas que elas já consumiam, por exemplo. Uma crise de larga escala força a mudança desse estado. Em escalas distintas, um meteoro social como no caso da pandemia força a gente a quebrar o padrão e as forças de inatividade de nossos comportamentos. Isso bagunça mercados e indústrias por completo, em alguns casos. Meça esse grau de “desordem” criada e avalie pois sempre há oportunidade aqui. A mudança do comportamento para compra online de supermercados é uma exemplo claro, mas agora mais óbvio pra gente. Ache aquele que só você vê com antecedência. Na Sanar encontramos 5 quebras de inércias em graus distintos com oportunidades também diferentes. Atuamos sobre todas.”

Bruno Sayão, CEO da IOUU

Nesta crise, em especial, a necessidade de migrar para o digital tem sido o que mais tem chamado a atenção. E, por mais que possa ser difícil para alguns negócios, vejo isso como um grande benefício para o mundo.

Fora de suas zonas de conforto, as empresas estão tendo que inovar mais rápido. O movimento da digitalização de processos teve uma aceleração repentina em relação a como vinha sendo introduzida nas empresas tradicionais e se adequar a isso será um dos pontos que definirá quais serão as empresas que permanecerão de maneira competitiva no mercado.

Na IOUU, certamente presenciaremos algumas mudanças de cultura em relação à comunicação e relacionamento de nossa equipe. Mas, se tem algo importante que esta crise nos trouxe, foi a experiência de lidar com esta situação. Sairemos dessa muito mais conectados e prontos para crescer. Afinal, é na crise que identificamos grandes oportunidades!

Rodrigo Amato, CEO da M2M

Para Rodrigo, essa crise é diferente das outras que a fintech já passou. “Já passamos por crises internas, como falta de produto ou de clientes, o que é comum para quem é empreendedor. Também passamos por crises econômicas e na última grande recessão do país, que durou quase 3 anos, tivemos tempo para reagir ao que estava acontecendo. Mas a crise do Covid-19 é totalmente diferente das outras, pois a incerteza do que vai acontecer daqui para frente é pior do que o risco”.

Edson Silva, Presidente do Grupo Nexxera

Segundo Edson, essa crise permitiu nos conhecer um pouco mais, da nossa capacidade, da nossa competência e do reconhecimento que temos do mercado. “Estávamos sempre presentes nos clientes entendendo que isso seria base para sua segurança. Mas, mantemos a mesma confiança dele estando distante. Além disso, serviu para entender que ter uma plataforma digital robusta é a base futura para sustentação dos negócios, algo que vai ser realidade daqui para frente. Essa crise nos mostrou que as pessoas, mesmo que remotas, podem produzir igual ou melhor do que presencialmente. Mas exige que as  pessoas sejam qualificadas e comprometidas, independente de onde elas estejam trabalhando. Por fim, percebemos que a mudança de hábitos pessoais e de trabalho e a dinâmica dos negócios podem e devem ser trabalhadas com limites que qualificam a vida e preservam o meio ambiente base para nossa saúde”.

Dr. Sérgio Giro, sócio da OFFICILAB 

Para Sérgio nós temos que estar sempre preparados para mudanças repentinas e as decisões não podem demorar muito. “Algumas oportunidades aparecem e desaparecem na mesma velocidade. Por exemplo, a produção de álcool gel, era uma formulação quase nunca procurada e de repente surgiu uma grande oportunidade de venda.”

O Sócio da OfficiLab ainda destacou alguns pontos:

1) Olhar de outra forma os investimentos.

2) Ter mais agilidade nas mudanças, ser menos engessado e ao mesmo tempo mais analítico com os custos.

3) Todos os custos, principalmente os fixos, tem que ser medidos continuamente para saber o quanto eles estão impactando no resultado e se são justificáveis.

4) Cada investimento ou despesa tem que ser avaliado e saber se estão no momento certo

“Não podemos ficar parados no tempo. Sempre temos que pensar onde podemos aprimorar e inovar. Mesmo que tudo esteja organizado e andando corretamente não significa que não possa melhorar.”

Dra. Claudia Souza, Sócia da DERMATUS cosmética médica

Uma das lições mais importantes que a crise trouxe é a de ser ágil e da empresa conseguir se transformar e se adequar às mudanças. “No nosso caso, foi fundamental a rapidez nas tomadas de decisões, em se ajustar às novas necessidades do consumidor e de alavancar os canais digitais.” Claudia ainda apontou a importância de ter um time de qualidade, engajado e que veste a camisa da empresa, o que faz a diferença para que consigam atender os objetivos. E finalizou, “As maiores lições para mim foram que o planeta e a sociedade vem em primeiro lugar. Ficou muito claro a importância da prevenção, planejamento e nossas conexões afetivas.”

Ricardo Almeida, CEO do Clube de Autores:

“A pandemia provou que muitos modelos de negócios, até então sustentados pelo tradicionalismo de grandes marcas e pela teimosia de velhos hábitos, estão fatalmente condenados. O que a crise fez foi dar um empurrão – necessário, vale acrescentar – rumo a uma inevitável transformação nas companhias.

O mercado editorial, por exemplo, já se arrastava em uma crise severa muito antes da pandemia. O motivo? Ser quase que inteiramente baseado em um modelo insustentável de estoque consignado – um modelo que todos os players já reconheciam como ineficiente, mas que pouquíssimos efetivamente se moveram para mudar.

E não é que a solução estivesse longe. Nós, aqui no Clube de Autores, já trabalhávamos com publicação gratuita de livros e impressão 100% sob demanda desde 2009 – e já tentamos firmar parcerias com editoras de todos os portes para viabilizar a venda de seus títulos sem a necessidade delas imprimirem tiragem alguma há muito, muito tempo. Até o futuro recente, nosso sucesso nessas tratativas foi mínimo – até a crise aparecer. Hoje, é difícil até mesmo quantificar o número de editoras e profissionais do livro utilizando nossa plataforma como complemento às suas próprias operações.”

JP Galvão, Co-fundador e presidente da Vai.Car

O co-fundador e presidente da Vai.Car, JP Galvão, passou por algumas crises e deu dica de como vencê-las. “Como empresário, as maiores crises que passei foram 2001, 2008 e 2015. Só sucumbi à última. Olhando para trás percebo que uma máxima da navegação se aplica bem: ‘Durante tempestades e mares revoltos, devemos buscar o farol no horizonte para atravessar a tormenta.’

Nas crises de 2001 e 2008 eu tinha planos de longo prazo muito claros e por isso, foi bem mais fácil atravessá-las. Em 2015 não existia um plano de longo prazo, quebrei tentando montá-lo tardiamente durante a tormenta. Quando sabemos para onde estamos indo, enfrentar os obstáculos de curto prazo e buscar rotas alternativas é mais fácil.”

Tomás Martins, CEO da Tembici

De acordo com Tomás Martins, CEO da Tembici, essa crise é também uma oportunidade de avançarmos em projetos para as cidades. “Quando as cidades decretaram quarentena, do dia para a noite, planos do ano inteiro precisaram ser revistos, e projetos que antes não eram prioridade, de repente, se tornaram fundamentais para que a companhia se adaptasse ao novo cenário. Se a pandemia impulsionou líderes da área privada a reverem prioridades e investirem em ações que, até então, não constavam no calendário, o mundo pós-pandemia pede que os líderes do poder público repensem e planejem novamente seus projetos, avancem no investimento de ações que há muito tempo as cidades precisam. No que tange à questão de mobilidade, nós estamos presenciando uma transformação global única e muito rápida: várias cidades do mundo estão repensando e começando a estimular novos hábitos de deslocamento nas cidades. A forma como as pessoas se locomovem vai mudar e a maior lição que podemos tirar disso tudo é que devemos estar abertos para o novo, e não esperar que as coisas aconteçam para que os projetos saiam do papel.”

Chico Carvalho, Fundador da hiBike

Chico Carvalho, diretor executivo, fundador e ciclista na hiBike, conta como a empresa de mobilidade encontrou soluções importantes para lidar com a atual crise. “Ninguém sai incólume de uma grande crise. Então a primeira lição tem a ver com humildade: entender que você não é o único, e que muitas pessoas estão enfrentando problemas iguais ou bem piores que os seus. Nos negócios, se você buscar na História, verá que três palavras são cruciais em períodos assim: ADAPTAÇÃO, COOPERAÇÃO e ANTECIPAÇÃO.  Adaptação é o ajuste. É sincronizar o que você faz, ao momento que você vive. Na hiBike, havíamos acabado de pivotar nosso serviço para uma carteira digital de pagamentos presenciais, quando “o mundo parou”. Antecipamos o roadmap e fizemos o óbvio: trazer as vendas para dentro do aplicativo. E isso está se tornando uma maneira de ajudar potenciais parceiros, oferecendo um canal extra de vendas online. Cooperação é fazer sua parte: várias pessoas, entidades e empresas estão auxiliando indivíduos, grupos, profissionais e estabelecimento especialmente afetados pelo momento. Portanto é hora de arregaçar as mangas. Oferecer canais de comunicação para campanhas. Ou criar linhas de ação nesse sentido. Antecipação é a grande chave para o momento pós crise: é tentar entender agora as mudanças sociais, econômicos e comportamentais que estão surgindo. Compreender como será a dinâmica das coisas e os prejuízos e benefícios de um mundo pós crise. Com uma ideia formatada, você deve pensar em como desenvolver seus produtos ou serviços para essa nova realidade.”

Raphael Caldas, CEO da Inteligov: 

“É uma obviedade que crises trazem oportunidades. No caso da Inteligov, contudo, isso está literalmente no nosso DNA.

A empresa surgiu justamente por conta de uma das maiores crises do sistema político brasileiro e que culminou na Lava Jato. Percebemos que o lobby iria mudar. Os setores público e privado não poderiam mais se relacionar da mesma maneira – muitas vezes informal, baseada em relacionamentos pessoais e “gut feeling”.

As mudanças sociais e econômicas, por vezes profundas, ocasionadas por todo tipo de crise, têm o condão de catalisar novos modelos de negócio.”

Isaac Paes, CEO do OiMenu

Com a atual crise da Covid-19 que estamos vivendo, todo o time do OiMenu precisou aprender algumas lições urgentes e “na marra”.

A necessidade de reinvenção nos forçou a rapidamente achar tempo para criar alternativas para um novo momento que chegou abruptamente. Em poucos dias, tivemos que parar todo o setor de desenvolvimento e mirar as nossas forças numa solução de delivery – um spin off para a empresa. Essa ideia já estava no forno há meses, mas não encontrávamos tempo para desenvolvê-la.

Além disso, nos últimos meses pudemos aprender também que podemos ser mais resilientes do que imaginávamos. Mesmo com o faturamento com uma queda muito grande, bem abaixo das nossas piores projeções, ainda conseguimos nos reinventar para continuar trabalhando com poucos recursos e ainda ajudando nossos clientes.

Ana Paula Pisaneschi, CEO do Uffa.com.vc

Com a pandemia da Covid-19, os principais desafios trazidos à nossa empresa foram com relação ao planejamento de ações operacionais para médio e longo prazo, uma vez que não sabemos ao certo quanto tempo durará esta crise. Nosso time adaptou os planos com maior flexibilidade, tendo como foco priorizar as ações que possuem capacidade de resposta em curto e médio prazo. Como resultado, concentramos os nossos esforços em dois pilares que, daqui em diante, terão muita atenção por parte do nosso time e importância no planejamento das futuras ações. São eles:

  1. Gerenciamento de crise: com o atual cenário, focamos os nossos esforços em capital humano, tendo como objetivo cuidar da reputação da marca, dar maior atenção aos nossos clientes e gerenciar o caixa em rédeas curtas.
  2. Análise de oportunidades estratégicas: com a necessidade eminente do uso de plataformas digitais para resolver problemas sem sair de casa, nos últimos meses o Uffa.com.vc tem recebido cada vez mais acessos. Não somente isso, a crise nos despertou para o desenvolvimento de um novo produto – ainda em sigilo – com foco em uma importante demanda reprimida de mercado.

Fernando Franco, CEO da Provi

O cuidado com o engajamento da equipe no home office é uma lição importante para o CEO e cofundador da fintech que tem o objetivo de simplificar o crédito educacional no  Brasil. “Um cenário de crise é um momento em que é fundamental ter um time engajado com o propósito da empresa e que faz as coisas acontecerem. Esse momento também evidenciou a importância de sermos uma empresa ágil na tomada de decisões e com um modelo de negócios sólido.”

João Canhada, CEO da Foxbit

O executivo destacou os seguintes pontos:

1) Se tiver que tomar decisões duras faça rápido, não espere.

2) Demitir é sempre a última opção.

3) Se tiver que demitir, 1, 10 ou 30, demita de uma vez só, não faça 1 a 1 em vários dias, pois só vai piorar a situação.

4) Não trate os sintomas, acabe com a doença de uma vez e rápido.

5) Respire, tem sempre um novo dia. Coloque uma frase do lado da sua cama “Isso também passa” e leia todo dia quando acordar.  (fases boas, ruins, ótimas, festas, tristeza, alegria, Isso também passam)

Dra. Claudia Cavalcanti, Sócia da HEALTHLINE nutracêuticos

A Dra. Claudia Cavalcanti destacou alguns pontos:

1) Transformação digital: Veio pra ficar e toda empresa deve otimiza-la, tornando-a rápida e eficiente. As vendas passarão a ser cada vez mais, menos presenciais.

2) Home office: É possível, sem perda de produtividade.

3) Otimizar o fluxo de caixa: As vendas devem ser estimuladas (metas possíveis, criar novas formas) e custos renegociados.

4) Pensando na pós pandemia, as lojas deverão ter um atrativo diferenciado, passar segurança e limpeza. Deverá ter um estudo de preços para cenário recessivo também.

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Artigo: Por que emitir moeda em tempos de pandemia?

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Françoise Iatski de Lima

Recentemente, o ministro da Economia admitiu que o Banco Central (BC) poderá emitir moeda e colocar em circulação novas cédulas e moedas para enfrentar a crise financeira e social causada pela pandemia do novo coronavírus. Isso não significa que o governo irá imprimir mais cédulas e moedas e simplesmente colocar em circulação, mas sim permitir que o BC compre títulos emitidos pelo TN e faça um crédito em valor equivalente em conta única da instituição, gerando moeda por meio eletrônico. A ideia é o TN usar o recurso para pagar dívidas por meio de transferências.

Somente o BC pode emitir moeda e somente o TN pode emitir títulos e pagar as despesas do Governo Federal. No entanto, o BC não pode emprestar dinheiro ao TN. E devemos lembrar que o objetivo na compra ou venda de títulos públicos federais é regular a oferta de moeda e ou a taxa básica de juros da nossa economia, a chamada Selic. Outra questão a ser observada é a existência do Sistema de Metas de Inflação. Como não é possível determinar a quantidade e o preço do dinheiro da economia ao mesmo tempo, o BC deve regular a Selic. Assim, o BC compra e vende títulos, regulando a quantidade de dinheiro para manter a Selic próximo ao que foi definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Dadas as explicações, o melhor a se fazer no momento é financiar os gastos extraordinários da pandemia e permitir o financiamento do Tesouro pelo BC. E claro, a redução de juros e a mudança na legislação poderão viabilizar essa medida. Opositores afirmam que existe o risco de descontrole inflacionário, como aconteceu nas décadas de 80 e 90. No entanto, observamos que a contração da economia poderá ser tão nefasta que o risco de inflação se torna pequeno devido à falta de demanda na economia. Além disso, a autoridade monetária tem espaço para expandir a base monetária e refazer a economia.

A taxa de juros deve mesmo diminuir, dando possibilidades ao TN de vender os Títulos ao BC que, então, entregaria moeda ao TN, que financiaria seus gastos. No longo prazo, pode acontecer uma recompra desses títulos, o que seria mais favorável que um novo endividamento.

A competência do Governo de emitir moeda traria benefícios sociais, apropriados para reintegrar as pessoas ao ciclo econômico. Alguns governos como dos Estados Unidos e Japão, já emitiram moeda para proteger suas economias, garantindo que a população mais vulnerável fosse amparada pelo Estado. No nosso caso, garantiríamos o auxílio emergencial de R$ 600,00 a brasileiros de baixa renda por três meses.

É por meio da renda gerada no sistema que as pessoas consomem em lojas, que, por sua vez, compram da indústria e esta última encomenda da agricultura. Isso faz parte da recomposição do ciclo mercantil que, dado diversos entraves, tanto econômicos como políticos, está acontecendo de maneira lenta. Ressalto ainda, que esta não é apenas uma crise na saúde, é uma crise também econômica, em que sofrem os mais vulneráveis, e que deve ser enfrentada com uma intervenção muito mais firme do Estado.

*Françoise Iatski de Lima, mestre em Desenvolvimento Econômico, é professora dos cursos de Economia e Relações Internacionais da Universidade Positivo.

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