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Paraíba

Thiago Moraes – A respeito dos ataques proferidos pela deputada Estelizabel Bezerra

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Não quis me manifestar no calor das emoções. É preciso sabedoria e prudência para lidar com o clima de massacre que pulula no estado da Paraíba. É sabido, no entanto, que no exercício de minha profissão, fui vítima de insulto desarrazoado por parte da deputada estadual Estela Bezerra (PSB), que, lamentavelmente, ultrapassou qualquer limite admissível de republicanismo.

Destaco que esta não é uma mera questão político-partidária. As ofensas a mim dirigidas ultrajam também toda a categoria dos jornalistas que, ao apurar fatos de interesse da população, ocupam nobre função social. Justamente por isso, após o desrespeito sofrido, recebi manifestações de apoio e solidariedade de jornalistas das mais distintas linhas editoriais e de diferentes emissoras, aos quais agradeço firmemente.

Sabemos o quanto a imprensa é atacada em momentos de agravamento de crises institucionais. Foi assim na Itália, na década de 1990, quando emergiu a Operação Mãos Limpas, investigação que descortinou a corrupção sistêmica que integrava o cotidiano das relações entre empresários e políticos. À época, bravos jornalistas informavam à população quais os métodos de corrupção adotados, quem eram os homens e mulheres envolvidos, quais suas regras e ritos, de que forma a condução de licitações para o benefício de um pequeno círculo de empresas “protegidas” financiava determinados políticos italianos secretamente.

Foi assim com a Operação Lava Jato que, desde 2009, perscruta a corrupção generalizada e o patrimonialismo enraizado no Estado brasileiro. Na Paraíba, coincidentemente ou não, o clima infame de dizimação de jornalistas encontra eco, sobretudo, no auge da Operação Calvário, investigação que denunciou núcleos de uma organização criminosa acusada de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e peculato, por meio de contratos firmados entre o Governo do Estado da Paraíba e Organizações Sociais.

Ora, os jornalistas limitam-se a publicizar os atos de gestores da administração pública e informar à população o desenrolar de investigações judiciais que, até o presente momento, seguem os cânones do processo justo e legal. É evidente que as consequências de possíveis crimes, se houver, devem recair sobre aqueles que os cometeram, não sobre quem os investigou ou os tornou públicos. O exercício do jornalismo demanda vigilância constante, pois é o esquecimento dos crimes que consome lentamente a liberdade das instituições. Inevitável, portanto, que em uma sociedade democrática a imprensa questione casos sensíveis que coloquem em discussão a conduta de administradores públicos e o relacionamento entre as esferas pública e privada.

Estela Bezerra, deputada a quem sempre nutri respeito e admiração pela forma aguerrida de combate contra o cerceamento das liberdades individuais, parece ter esquecido o solene juramento que fez na Universidade Federal da Paraíba, quando concluiu o curso de Jornalismo, o de se comprometer com o direito do cidadão à informação. Ora, a apuração dos fatos se dá em função das demandas da sociedade, não obedecendo às orientações político-partidárias.

É preciso cuidado para não se esconder atrás de discursos retoricamente esvaziados porque inaudíveis às perguntas da sociedade paraibana. É necessário cuidado para não defender o Estado Democrático de Direito apenas quando é conveniente, abandonando-o tão logo a imprensa questione fatos desconcertantes. É preciso, sobretudo, que a deputada Estela Bezerra volte ao patamar de civilidade que o cargo exige. Evidentemente, a deputada tem o direito de escolher qual é o jornalista mais apropriado para dialogar. Deve, no entanto, manter a integridade moral de todos os profissionais da comunicação, ainda que, eventualmente, discorde das notícias veiculadas.

Talvez, seja interessante que a deputada releia Michel Foucault, filósofo francês pelo qual compartilhamos a mesma admiração. Em um pequeno prefácio à obra de Deleuze e Guattari, intitulada “O Anti-Édipo”, Foucault sugere dicas práticas para superar o fascismo cotidiano. Não aquele cristalizado no estado ou em formas de governo, como o fascismo histórico de Hitler e Mussolini, mas aquele fascismo mais perigoso porque quase invisível, aquele que martela o espírito e a conduta, e que, se não tomar cuidado, habita em cada um, independentemente da coloração político-partidária. Trata-se, por exemplo, do tratamento hostil dispensado a um interlocutor que ousa pensar diferente. As perguntas que impõe Foucault neste texto são certeiras: como fazer para não se tornar fascista, sobretudo, quando se acredita ser um militante revolucionário? Como livrar do fascismo não apenas o discurso, mas o comportamento cotidiano?

Acredito que a política e o regime democrático são os melhores instrumentos pelos quais as divergências devem ser resolvidas. Assim, o espaço continuará aberto à deputada Estela Bezerra, e o desejo de encontrá-la para questionar, com o mais absoluto respeito, temas de interesse da sociedade paraibana permanece o mesmo. Afinal, o Paraíba RádioBlog tem como inspiração um sábio ditado árabe: “os cães ladram, mas a caravana passa”. A expressão, que significa que devemos ignorar as provocações que possam impedir a caminhada e esquecer críticas que não sejam construtivas, não poderia ser mais apropriada.

 

“Latidos são apenas latidos. Podem até incomodar um pouco. Podem irritar. Podem provocar algumas iras contra a caravana por perturbar o sono de alguns. Mas a caravana entende o seu sentido e segue adiante. O original, o novo, o diferente, vai sempre provocar latidos, mas em breve serão latidos de festa, de reconhecimento, de alegria.
Ficar preso a um círculo invisível é para eles, os cães…”

 

Abaixo, áudios dos ataques proferidos por Estelizabel Bezerra

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Paraíba

Comissão de Orçamento aprova Medida Provisória que vai beneficiar pequenos negócios

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A Comissão de Orçamento, Fiscalização, Tributação e Transparência da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) aprovou, nesta quinta-feira (4), durante reunião remota, realizada através do sistema de videoconferência, a Medida Provisória (MP) 291/2020, encaminhada pelo Governo do Estado, que traz benefícios para as empresas paraibanas.

A MP possibilita a remissão e anistia dos créditos tributários a algumas empresas da Paraíba no período de 2002 a 2020. A iniciativa vai beneficiar especialmente os pequenos negócios, que tiveram seus ganhos comprometidos consideravelmente desde o início da pandemia do coronavírus (Covid-19).

Durante a reunião, os parlamentares também aprovaram o Projeto de Lei 1.109/2019, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A proposta, de autoria do deputado Tião Gomes, obriga o Governo do Estado a destinar 2% dos recursos arrecadados do IPVA a campanhas educativas de prevenção à acidentes de trânsito, o que representa cerca de R$ 6 milhões por ano.

“A economia com gastos públicos na saúde será comprovada com a prevenção dos acidentes de trânsito feita com as mais variadas formas de campanhas na mídia, nas escolas, nos semáforos, entre outros”, disse Tião Gomes.

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Negócios

Lei regulamenta espaçamento mínimo e número máximo de clientes em bancos e lotéricas

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Foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (4) a lei 11.700/2020, de autoria do deputado estadual Wilson Filho (PTB), que disciplina o espaço mínimo e o número de pessoas que podem entrar em agências bancárias e casas lotéricas na Paraíba durante a pandemia de covid-19.

A lei prevê distanciamento de 1,5 metro entre as pessoas dentro das instituições e no máximo dez clientes por vez no interior delas. Em caso de agências consideradas de grande porte, o número aumenta para 20. A fiscalização ficará a cargo do Procon estadual, que poderá arbitrar multa de 100 a 1.000 Unidades Fiscais de Referência do Estado da Paraíba (UFR-PB) à agência descumpridora.

“Não podemos permitir que as pessoas, neste momento de fragilidade financeira, corram o risco de se infectar com o novo coronavírus ao exercerem o direito básico de ter acesso ao meio que irá garantir o pão de cada dia às suas famílias”, afirmou o deputado.

Outra lei sancionada pelo governador João Azevêdo (Cidadania), desta vez em coautoria com o deputado estadual Wallber Virgolino (Patriota), suspende a cobrança de empréstimos consignados contraídos por servidores públicos civis, militares, aposentados, inativos e pensionistas da Paraíba pelo prazo de quatro meses.

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Paraíba

Policiais penais recuperados vão doar plasma para pacientes com a Covid-19

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A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) iniciou uma campanha para que policiais penais recuperados da Covid-19 possam, de forma voluntária, doar plasma convalescente como alternativa terapêutica em pacientes gravemente enfermos com Síndrome Respiratória Aguda (SARS) – Covid-19. Até essa terça-feira (2), dos 102 testados positivos, 87 já estavam recuperados e vários desses policiais penais já se dispõem a serem doadores de plasma como atitude humanitária para salvar vidas. O Comitê Covid-19 da Seap está cadastrando os voluntários.

O secretário Sérgio Fonseca de Souza parabeniza o gesto voluntário dos policiais penais que, recuperados da Covid-19, decidem doar plasma sanguíneo para que o Hemocentro e parceiros realizem a pesquisa sobre essa alternativa de salvar pessoas em situação grave nos hospitais de enfrentamento da doença. “A Seap elaborou e vem executando com êxito o Plano de Contingência composto por diversas medidas preventivas e de combate à Covid-19, os policiais penais compreenderam a necessidade de se cumprir as regras estabelecidas. Além disto, é gratificante observarmos nesse momento esse exemplo de amor ao próximo com a disposição de doar plasma para que vidas em estado grave possam ser salvas. Isto é um ato de valor imensurável, um gesto a ser seguido por tantas outras pessoas recuperadas da Covid-19”, pontuou.

O policial penal Ricardo Marques de Souza Neto, diretor adjunto da Penitenciária de Segurança Média “Juiz Hitler Cantalice”, é um dos voluntários a doar plasma. “Eu fui testado positivo para a Covid-19, fiz o tratamento e já estou recuperado. É com grande satisfação que decidi doar, ser voluntário  e de certa forma ajudar no combate a essa pandemia. Se você já teve essa doença e se recuperou, participe dessa campanha e nos ajude a salvar vidas”, comentou.

Doação de plasma – O Hemocentro da Paraíba é um precursor na região Nordeste para realizar coleta, processamento, armazenamento e distribuição do plasma convalescente. O projeto foca em salvar vidas. O futuro doador de plasma convalescente deve apresentar um laudo da época comprovando o teste RT-PCR positivo para Covid-19. Outros requisitos são: ter de 18 a 65 anos, estar há 30 dias sem os sintomas do Covid-19, a mulher deve ser nuligeste (nunca engravidou) e o doador não deve ter sido hospitalizado em virtude da doença. A doação do plasma convalescente é segura tanto para o doador quanto para os profissionais envolvidos no processo, assim como para para os receptores.

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