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Artigo: Aristóteles e a política atual

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Maria Aparecida de Oliveira Silva

A política rege todas as outras ciências

Por vezes, furtam a responsabilidade da política de garantir a felicidade e os direitos dos seres humanos. Mas como garantir isso? Em Política, publicada pela Edipro, Aristóteles compreende o indivíduo, o seu papel na sociedade e na organização, a fim de avaliar as formas de governo e como esta metodologia poderia alcançar um mundo ideal.

A nova tradução feita pela professora Maria Aparecida de Oliveira Silva – mestre em história Econômica, doutora em História Social (USP) e pós-doutora em Estudos Literários (UNESP) – primou em demonstrar originalmente os ideais de política de Aristóteles e, assim, compreender a formação, a estrutura e o desenvolvimento da vida em comunidade.

Após se tornar receptor do Alexandre – O Grande, o filósofo e pensador concluiu que a política influencia em todas as outras ciências de forma efetiva. Declarava que o Estado é como uma associação, uma vez que esse modelo propicia o interesse de todos por um bem comum.

Aristóteles é considerado o primeiro grande mentor de assuntos públicos e declara que é impossível idealizar um indivíduo sem o Estado e que, entendendo as pessoas como animais políticos, não é possível viver sem a sociedade. Neste sentido, as comunidades, as cidades e até mesmo os estados são frutos da tendência do ser humano de agrupamento.

Para o filósofo grego, o principal motivo desta associação humana é o bem comum, capaz de proporcionar felicidade aos seus cidadãos e prosperidade à cidade. A instituição de leis e a sua observância são fundamentais para que a comunidade seja uma associação humana feliz e próspera. Estas e outras reflexões atemporais compõem esta cuidadosa tradução anotada. Inclui apêndice com a tradução de “Da Monarquia, Democracia e Oligarquia”, de Plutarco.

Política compõe o catálogo da Editora Edipro que conta com 14 obras de Aristóteles: Órganon; Da Geração e Corrupção; Retórica a Alexandre; Retórica; Poética; Parva Naturália; Metafísica; Ética – Textos Selecionados; Ética a Nicomaco; Ética a Eudemo; Do Céu; Da Alma (De Anima); Constituição de Atenas e Categorias.

Sobre o autor: Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) foi um importante filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, a poesia, o teatro, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como uma das figuras mais importantes e um dos fundadores da filosofia ocidental. Seu ponto de vista sobre as ciências físicas influenciou profundamente o cenário intelectual e medieval e esteve presente até o Renascimento. Nas ciências biológicas, a precisão de algumas de suas observações foi confirmada apenas no século XIX. Suas obras contêm o primeiro estudo formal conhecido da lógica. Na metafísica, o aristotelismo teve uma influência profunda no pensamento filosófico e teológico. Todos os aspectos da filosofia de Aristóteles continuam a ser objeto de um ativo estudo acadêmico nos dias de hoje.

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O PL 1397 e a onda de recuperações judiciais

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A importância dada à pandemia de COVID-19 no Brasil foi até aqui longe de ser consensual entre as esferas de governo federal, estaduais e municipais, entre as correntes políticas e até mesmo entre as classes sociais.

O debate ficou marcado entre uma equivocada polarização entre saúde e economia. Passados 4 meses, houve a dura constatação de que ambas saíram prejudicadas e que ainda há um longo caminho pela frente tanto para tratar a doença como para combater seus efeitos econômicos.

Na área econômica, costuma-se dizer que a empresa em crise vai para UTI quando recorre à LRF – Lei de Recuperação Judicial e Falência (11.101/2005). Uma das medidas para evitar a saturação do judiciário com a explosão de casos de Recuperação e Falência foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 21/05/2020 na forma do PL 1397. Atualmente, o PL está no Senado e será analisado juntamente com as 16 emendas apresentadas pelos senadores. Trata-se de uma lei transitória, válida durante o estado de emergência decretado em março até provavelmente final deste ano. Embora o projeto tramite em carát er emerg encial, passados mais de dois meses, continua sem pauta para votação.

A ideia que concebeu o PL 1397 foi dividi-lo em duas frentes: a) adiar a demanda judicial e estimular formas negociadas de solução dos conflitos entre devedor e credor e b) modificar em caráter transitório alguns dispositivos existentes na LRF, ampliando seu alcance. Com as duas medidas, o legislador supõe que irá diminuir a necessidade da empresa em crise recorrer à Recuperação Judicial e quando o fizer terá mais chances de se recuperar.

Dentre as medidas preventivas, há a previsão de suspender por 30 dias ações de execução oriundas de compromissos vencidos e não honrados após 20/03/2020, inclusive contratos. Não caberia execução judicial ou extrajudicial de garantias reais, fiduciárias, fidejussórias e coobrigações, cobranças de multas, decretação de falência e resolução unilateral de contratos bilaterais.

Durante o período de suspensão, devedor e credor deverão buscar saídas extrajudiciais e diretas, com o pano de fundo dos impactos econômicos e financeiros causados pela pandemia. A livre negociação de que a legislação trata, já realizada atualmente em muitos casos, evita a judicialização do processo e pode servir até mesmo para fortalecer o relacionamento econômico entre as partes e é um fator atenuante de sobrecarga de demandas no Poder Judiciário.

Caso não haja acordo amigável nos 30 dias estipulados, o devedor que comprovar redução significativa de seu faturamento (30% ou mais), comparando com o último trimestre de 2019, poderá ainda ingressar com pedido na justiça para obter mais 60 dias de prazo para negociação. O devedor deverá comprovar a queda do faturamento, bem como que estabeleceu o canal inicial de negociação com o credor. Havia um dispositivo de incluir a figura de um mediador, porém não aprovada.

A ideia da prorrogação com comprovação de queda de faturamento e busca de negociação visa impedir que as empresas devedoras utilizem a lei apenas para dar um calote na dívida.

Passado o prazo total de 90 dias, o devedor poderá requerer pedido de recuperação judicial na sequência, sendo que o período será deduzido do chamado stay period da LRF (prazo de 180 dias, quando as ações e execuções promovidas contra o devedor ficam suspensas).

Como dito no início, a segunda frente do PL 1397 trata de modificar transitoriamente a LRF durante o estado emergencial.

Primeiro, as empresas que já se encontravam em processo de recuperação judicial ou extrajudicial e que foram afetadas pela pandemia ocasionada pelo covid-19 poderão propor aditivos modificando propostas do Plano de Recuperação Judicial e incluir dívidas contraídas após homologação e somente serão aplicadas aos processos iniciados ou cujos respectivos planos de recuperação judicial ou extrajudicial forem aditados durante o período de vigência deste projeto de lei, qual seja, a data de sua publicação até 31 de dezembro de 2020.

Outra modificação transitória é a que trata do quórum de aprovação do Plano quando a empresa optar por pedir Recuperação Extrajudicial, que passa de 3/5 para 50%.

Os créditos que a empresa tiver tomado na forma de DIP (Debtor-in-possession financing), desde que com expressa anuência do juízo da recuperação serão considerados extraconcursais, ou seja não se sujeitarão ao eventual novo plano. Esta é uma medida para proteger e estimular o financiamento do soerguimento da empresa em crise.

O PL 1397 ainda estabelece o limite mínimo para a decretação da falência que passa a ser de R$ 100.000,00 (cem mil reais).

Finalmente, para microempresas e empresas de pequeno porte, o parcelamento da dívida passa de até 36 (trinta e seis) parcelas para até 60 (sessenta) parcelas mensais, iguais e sucessivas, podendo admitir a concessão de desconto ou deságio e, se corrigidas monetariamente, observarão a taxa de juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, sendo certo que, o pagamento da primeira parcela deste parcelamento deverá ocorrer em até 360 (trezentos e sessenta) dias, contados da distribuição do pedido de recuperação judicial ou de seu aditamento.

O que se espera agora, é que o Senado assuma o protagonismo para tratar da saúde das empresas em estado de UTI econômica. Se o PL 1397 demorar muito ainda para ser votado e aprovado, corre-se o risco de perder sua eficácia, qual seja não criar a tão temida onda de Recuperações Judiciais no Brasil.

(*) Fabio Astrauskas é CEO da Siegen Consultoria, especializada em reestruturação e recuperação de empresas

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Artigo: Conteúdo nas aulas e modelo curricular

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Com as mudanças que a pandemia causou em nossa vida e, consequentemente, na vida escolar das crianças e professores, são frequentes essas perguntas, seja em conversa entre pais ou nas reuniões da escola, agora virtuais: mas, e o conteúdo? E a reposição das aulas? E 2021? E o processo de alfabetização? A ansiedade é grande: o que fazer diante desse tempo perdido? Mas, será perdido mesmo?

O modelo curricular das escolas brasileiras é enciclopédico, com excesso de conteúdo, pouco flexível e desconectado das necessidades do contexto atual. Com a pandemia, essas características foram ressaltadas, demonstrando que as escolas permanecem com um modelo ultrapassado e que, talvez, esse seja um bom momento para repensarmos esse modelo curricular, e também a nossa relação com a escola e com a produção de saberes.

Com as aulas remotas, a relação interpessoal mudou. Mudaram também as relações com o aprender, com o conhecimento, com a tecnologia. Isso não significa que as crianças estão aprendendo menos ou mais: estão aprendendo diferente. E aprendendo além dos conteúdos elencados no currículo.

Ter claro que esse é um momento de aprendizagem, ainda que as crianças estejam fora da escola, e que aprender vai além dos conteúdos curriculares, nos ajuda a perceber que esse não é um tempo perdido. É um tempo diferente e precioso. Por isso, precisamos vivenciá-lo de forma serena, procurando criar memórias afetivas e positivas para as crianças – e para nós, adultos, também.

Cozinhar juntos, ouvir músicas, cuidar de plantas, dividir afazeres da casa, pintar, ler. São atividades que nos aproximam e podem ser inseridas na rotina, tanto para pais que estão saindo de casa para trabalhar como para os pais que estão em teletrabalho.

Por que não inserir na rotina um momento de leitura compartilhada? A criança pode participar da escolha do livro e os pais contarem a história antes de dormir, após o almoço, durante a tarde, enfim, no período do dia em que a rotina familiar e de trabalho permitir. A literatura fortalece o ser, permite o autoconhecimento, o respeito ao próximo, a compreensão do meio em que se vive, o desenvolvimento da criatividade, a ampliação do vocabulário. E mais: o encontro do texto com o leitor e com o ouvinte.

Estamos vivenciando uma experiência única, que propicia uma forma diferente de aprender e de ir além dos conteúdos. As crianças não estão perdendo, mas ganhando outras possibilidades de convivência, de conteúdo, de conhecer o mundo. A alfabetização acontecerá, o aprender também. De outro modo, com outros matizes. E pais e escola, juntos, estão encontrando caminhos e ganhando horizontes.

Deisily de Quadros é professora da área de Linguagens e Sociedade da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter, estuda literatura infantil e a formação de leitores e é mãe do Théo.

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Artigo: O adicional de insalubridade

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Por Camila Franco

A segurança e o bem estar social também são assegurados pela Constituição Federal dentro do ambiente de trabalho.

Em decorrência dessa premissa, os trabalhadores têm o direito de verem reduzidos os riscos no ambiente de trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança laboral.

O adicional de insalubridade é devido ao empregado exposto a agentes nocivos à saúde e acima dos limites de tolerância fixados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego.

Os agentes nocivos podem ser físicos (ruído, calor, radiações, frio e umidade), químicos (poeiras, gases, vapores, névoas e os fumos) e biológicos (microorganismos, vírus e bactérias).

As atividades exercidas em condições insalubres asseguram ao empregado a percepção de adicional de insalubridade de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) ou 10% (dez por cento) dependendo do tipo de agente insalubre a que o empregado está exposto. Embora haja discussões sobre a base de cálculo, a Justiça, em sua maioria, considera que estes percentuais incidem sobre o salário mínimo.

Poderá ocorrer a eliminação ou neutralização da insalubridade com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância (medidas coletivas) ou com a utilização de equipamentos de proteção individual (medida individual) que irá diminuir a intensidade do agente, de forma a mantê-la nos limites de tolerância.

Camila Franco é advogada, formada pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU/SP), pós graduada em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Mackenzie/SP e processo do Trabalho pela PUC-COGEAE – SP. É sócia responsável pelas áreas de Direito do Trabalho na Ragazzi Advocacia e Consultoria. Dúvidas em direito e legislação devem ser encaminhadas para contato@ragazzi.adv.br

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